Moradores são expulsos para dar lugar a turistas: cidade paradisíaca vive crise de aluguel e perde residentes

Destino turístico conhecido por praias e mar cristalino vê aluguéis de temporada avançarem enquanto moradores enfrentam dificuldade para encontrar casas o ano inteiro

Casas brancas e construções do centro histórico formam uma das paisagens mais conhecidas de Vieste, no sul da Itália (Foto: Nikater/Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

Casas brancas e construções do centro histórico formam uma das paisagens mais conhecidas de Vieste, no sul da Itália (Foto: Nikater/Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)

À primeira vista, Vieste parece reunir tudo o que se espera de um cartão-postal italiano. Praias de águas cristalinas, ruas estreitas, pequenas praças e casas brancas transformaram a cidade da região da Puglia em um dos destinos mais procurados do país.

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Para quem vive ali durante o ano inteiro, porém, o crescimento do turismo trouxe um problema menos fotogênico. Moradores relatam dificuldades cada vez maiores para encontrar imóveis com contratos de longa duração, enquanto casas antes destinadas à população local passam a funcionar como hospedagens turísticas.

A situação chegou ao ponto de alguns inquilinos receberem contratos apenas para os meses mais frios. Quando maio se aproxima e começa a temporada turística, eles precisam deixar os imóveis para que os proprietários possam alugá-los por diárias mais altas.

Casas desaparecem do mercado

Daniel, morador ouvido pelo Fanpage.it, descreveu a situação como uma emergência social. Segundo ele, encontrar uma casa para alugar durante todo o ano tornou-se praticamente impossível.

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Contratos tradicionais de três, quatro ou mais anos perderam espaço para locações temporárias. Jovens, trabalhadores e famílias que procuram estabilidade acabam diante de poucas opções ou precisam aceitar a obrigação de sair antes do verão.

O fenômeno acompanha o peso do turismo na economia local. Vieste possui pouco mais de 13 mil moradores permanentes, mas registra mais de 2 milhões de presenças turísticas por ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística da Itália.

Em agosto, período de maior procura, a proporção chega a quase dois turistas para cada morador por dia.

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48 mil leitos disponíveis

Os números do Observatório Turístico Regional da Puglia ajudam a dimensionar a transformação da cidade.

Atualmente, Vieste possui 1.526 estruturas de hospedagem cadastradas, das quais 1.360 estão em funcionamento. Juntas, oferecem aproximadamente 48 mil leitos diariamente.

Dentro desse universo aparecem ainda 933 chamadas “locações não empresariais”. São imóveis residenciais alugados temporariamente por proprietários particulares que não atuam formalmente como empresas do setor.

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Na prática, parte dessas casas deixa de atender moradores para disputar um mercado turístico muito mais rentável durante a alta temporada.

Cidade cheia no verão

A consequência aparece também fora das casas. Daniel afirma que bairros perderam moradores permanentes e passaram a funcionar intensamente apenas durante alguns meses do ano.

Enquanto as ruas se enchem no verão, a população que trabalha e mantém a cidade ativa durante os demais meses enfrenta dificuldades para continuar morando no próprio município.

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O morador também critica a ausência de limites mais rígidos para novas hospedagens e cobra medidas como incentivos fiscais para proprietários que mantenham contratos residenciais.

A prefeitura reconhece o problema, segundo a reportagem, mas argumenta que dispõe de poucas ferramentas legais para impedir proprietários privados de transformar casas em acomodações turísticas.

Nova lei tenta limitar avanço

Uma possível mudança começou a ser discutida no âmbito regional. Uma proposta sobre aluguéis de curta duração deve dar aos municípios com forte presença turística poder para estabelecer áreas com regras e limites específicos.

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Entre os critérios previstos está a relação entre o número de leitos turísticos e a quantidade de residentes.

A medida, entretanto, possui uma limitação importante para cidades como Vieste. As novas restrições seriam aplicadas apenas aos imóveis que entrarem futuramente no mercado de temporada.

Casas que já funcionam como hospedagem permaneceriam dentro de um regime transitório e não seriam atingidas imediatamente pelas novas regras.

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Outra proposta prevê excluir das restrições pequenos proprietários que possuam até dois imóveis destinados à locação temporária.

Enquanto o debate avança, a contradição permanece visível: uma cidade capaz de oferecer dezenas de milhares de camas aos visitantes enfrenta dificuldades para encontrar uma casa disponível para quem precisa morar nela durante os 12 meses do ano