Reforma Tributária mexe com preços no mercado: confira o que sobe e o que desce

Novo sistema de cobrança simplifica as notas fiscais e divide produtos entre os que terão desconto e os que vão pagar taxas extras

Cesta básica e medicamentos terão redução de impostos; bebidas alcoólicas, cigarros e apostas pagarão mais / Ilustração IA/Gazeta de S. Paulo

Antes de a Reforma Tributária entrar plenamente em vigor, uma pergunta já domina as conversas sobre o tema. Afinal, o que vai ficar mais barato e o que tende a pesar ainda mais no bolso? A mudança promete reorganizar a forma como os impostos são cobrados no país e terá reflexos diretos no orçamento das famílias.

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De um lado, alimentos da cesta básica, medicamentos e alguns serviços essenciais terão redução da carga tributária. De outro, bebidas alcoólicas, cigarros, apostas online e produtos com maior impacto ambiental devem ficar mais caros.

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As mudanças ocorrerão de forma gradual, mas empresas já começaram a adaptar seus sistemas e a destacar os novos tributos nas notas fiscais para fins informativos.

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A proposta substitui cinco impostos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um modelo baseado no chamado IVA Dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios.

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A ideia é simplificar a cobrança e concentrar a tributação no local onde o consumo acontece.

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O que muda de verdade nas suas contas do mês 

Entre os principais pontos da reforma, alguns devem ser percebidos com mais facilidade pela população:

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Alíquota zero: produtos considerados essenciais, como itens da cesta básica nacional e centenas de medicamentos, deixarão de pagar imposto;
Imposto Seletivo: produtos associados a prejuízos à saúde ou ao meio ambiente terão tributação adicional;
Cashback tributário: famílias de baixa renda poderão receber de volta parte dos impostos pagos em contas e compras do dia a dia.

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Os produtos que devem ter o imposto menor

A regulamentação definiu benefícios tributários para uma série de produtos e serviços. Entre eles estão os itens da cesta básica nacional, como arroz, feijão, carnes bovina, suína e de aves, leite, café, pão francês e farinhas, que terão alíquota zerada.

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Também haverá isenção total para 383 medicamentos incluídos na lista oficial da reforma. Já os serviços de saúde e educação privadas contarão com redução de 60% da alíquota padrão.

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Além disso, o transporte coletivo urbano contará mecanismos para evitar aumentos expressivos nas tarifas. Produtos hortifrúti, como ovos, frutas frescas, raízes e tubérculos também entram na lista de produtos com tributação zero.

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A lista dos itens que vão ficar mais caros

A reforma também criou o Imposto Seletivo, apelidado de “imposto do pecado”. A proposta é elevar a tributação sobre produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, usando o preço como instrumento para desestimular o consumo.

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Entre os itens sujeitos à cobrança adicional estão:

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  • bebidas alcoólicas;
  • refrigerantes e bebidas açucaradas;
  • cigarros e derivados do tabaco;
  • veículos com maior impacto ambiental;
  • jatinhos e embarcações de lazer;
  • apostas esportivas e plataformas de bets.

Especialistas ainda apontam que parte do setor de serviços poderá repassar custos ao consumidor, já que muitos segmentos atualmente recolhem menos tributos do que a indústria.

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Quem terá direito ao cashback

Para reduzir os efeitos da tributação sobre as famílias mais vulneráveis, a reforma criou um sistema de devolução parcial dos impostos pagos.

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Terão direito ao benefício os inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa.

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Nas contas de água, energia elétrica, gás, internet e telefone, a devolução ocorrerá automaticamente na fatura. Já em compras feitas em supermercados e farmácias, será necessário informar o CPF na nota fiscal.

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O valor devolvido corresponderá a 20% dos tributos recolhidos e será depositado em conta digital da Caixa Econômica Federal.

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Quando as novas regras começam a valer

A implementação será escalonada. Neste momento, empresas realizam adaptações nos sistemas e destacam as novas alíquotas nas notas fiscais apenas para fins de transparência, sem cobrança efetiva dos valores adicionais.

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A CBS e o Imposto Seletivo começam a ser cobrados em janeiro de 2027. A substituição completa dos tributos atuais, incluindo ICMS e ISS, ocorrerá gradualmente até 2033.

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Durante a tramitação da proposta, o secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, destacou que um dos principais avanços do novo modelo é a clareza para o contribuinte.

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“A transparência do novo sistema permitirá ao cidadão saber quanto está pagando de impostos”, afirmou.

Na mesma linha, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que a mudança busca modernizar um sistema considerado excessivamente complexo e aproximar o Brasil das práticas adotadas em outras economias.