Márcio França mira eleitor tucano frustrado com Doria

Colaboradores do pessebista avaliam que esta eleição abrirá espaço a uma terceira via, que foi sufocada nos últimos anos pela polarização entre petistas e tucanos Por Folhapress De São Paulo

A campanha do governador de São Paulo, Márcio França (PSB), à reeleição vai mirar o eleitor tradicionalmente tucano que não simpatiza com o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) e se identifica com propostas de centro-esquerda.

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Colaboradores do pessebista avaliam que esta eleição abrirá espaço a uma terceira via, que foi sufocada nos últimos anos pela polarização entre petistas e tucanos.

Com o desgaste de ambos os partidos, apontam um vácuo a ser preenchido pelo candidato que conquistar o eleitor sem posições predefinidas.

Na leitura dos pessebistas, há dois PSDBs no estado: o de Doria e o de nomes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador Alberto Goldman, que já fez severas críticas publicamente ao ex-prefeito paulistano.

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Em 2014, Geraldo Alckmin (PSDB) reelegeu-se governador vencendo em 644 dos 645 municípios do estado. Nesse espólio, há o paulista que se frustrou com Doria depois de sua renúncia à Prefeitura de São Paulo e com a imposição de seu estilo descrito como acelerado pela campanha de França, que não respeita ritos do setor público.

Além desse grupo, há também o eleitor que se decepcionou com o PT, depois de escândalos de corrupção envolvendo suas lideranças entre elas o ex-presidente Lula.

Paulo Skaf (MDB) também se coloca como terceira via. Para enfrentá-lo, aliados de França pretendem explorar seu perfil empresarial, ligado às entidades patronais da Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo que ele comanda há anos.

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Na saída dos estúdios da TV Bandeirantes, após o debate na quinta-feira (16), o governador afirmou que seu objetivo ali tinha sido, “acima de tudo, demonstrar que o quadro era um pouco repetitivo”.

Naquela noite, três dos secretários mais fortes de Geraldo Alckmin que permaneceram na gestão França acompanharam a comitiva do governador no estúdio.

As presenças de Saulo de Castro (Governo), aliado de longa data de Alckmin, Mágino Alves (Segurança) e Márcio Elias Rosa (Justiça) eram uma alfinetada nos apoiadores de Doria, exibindo alckmistas ao lado de França.

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Em sua primeira pergunta no debate, França antagonizou com Doria ao questionar o ex-prefeito sobre o fechamento de unidades de saúde na capital. A intenção era tentar colar no tucano a imagem de que ele não tem sensibilidade social.

Segundo a campanha do governador, a parcela de eleitores indefinidos busca um nome que consiga de forma ponderada apontar um novo jeito de governar, que não signifique uma ruptura absoluta.

Seus auxiliares querem dar respostas às preocupações desse eleitor com o dia a dia, a insegurança com o emprego, dependência do estado na saúde, aposentadoria e educação e com a segurança pública.

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“A nossa proposta de campanha é ofertar um novo jeito de governar São Paulo, que já está em curso, que significa uma mudança segura”, afirma Felipe Soutello, marqueteiro de Márcio França.

Soutello trabalhou para Skaf e Kassab em eleições passadas e é citado pela cúpula do PSB paulista como um especialista em tucanos. Ele assumiu a campanha na semana passada, substituindo Paulo de Tarso – que já trabalhou com Marina Silva e Lula e, em 1989, criou o jingle “Lula Lá”.

Preocupação com os gastos na propaganda e a indisponibilidade de Tarso para se dedicar integralmente a França por comandar outras eleições pelo país foram as razões com que os pessebistas justificaram a mudança.

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A troca, porém, também deixa implícita a desistência de dialogar com o voto progressista, ao menos no primeiro turno.

Para auxiliares de França, o candidato do PT, Luiz Marinho – hoje empatado com o pessebista nas pesquisas, na casa dos 5% – tem potencial para alcançar 15% dos votos. Para eles, trata-se de um eleitorado fiel, que não vai deixar de votar no petista para apostar no PSB nas urnas.

O campo azul, formado pelos nomes que se apresentam como de direita liberal, está mais congestionado. Ao mesmo tempo, tem maior margem para crescer em um estado majoritariamente conservador. É nesse aspecto que França espera extrair vantagem da relação com Alckmin, seu antecessor.