Estudo ajuda a entender por que médiuns têm dom de prever o futuro

Resultados revelaram 16 mil variantes genéticas encontradas exclusivamente em médiuns ligados, principalmente, à umbanda e ao espiritismo

Chico Xavier é considerado um dos maiores médiuns da história do País

Chico Xavier é considerado um dos maiores médiuns da história do País | Reprodução/TV Mundo Maior

Um estudo publicado em janeiro pelo Brazilian Journal of Psychiatry comparou 54 pessoas identificadas como médiuns – principalmente ligadas à umbanda e ao espiritismo – com 53 parentes de primeiro grau de cada uma sem qualquer habilidade semelhante.

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Os resultados revelaram quase 16 mil variantes genéticas encontradas exclusivamente nos médiuns, que provavelmente impactam a função de 7.269 genes.

“Esses genes surgem como possíveis candidatos para futuras investigações das bases biológicas que permitem experiências espirituais como a mediunidade”, concluiu o texto da pesquisa.

A coordenação do estudo, feito entre 2020 e 2021, ficou a cargo de Wagner Farid Gattaz, professor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e à frente do Laboratório de Neurociências na universidade.

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O que se sabe

Para Gattaz, a análise científica dá sinais importantes para se entender a mediunidade além da visão religiosa. “O estudo desvendou alguns genes que estão presentes em médiuns, mas não em pessoas que não o são e têm o mesmo background cultural, nutritivo e religioso”, disse Gattaz em entrevista à Folha.

“Isso significa que alguns desses genes poderiam estar ligados ao dom da mediunidade”, completou.

Ainda de acordo com o coordenador, os genes estão em grande parte ligados ao sistema imune e inflamatório. Um deles está ligado à glândula pineal, que foi tida por muitos filósofos e pesquisadores do passado, como a glândula responsável pela conexão entre o cérebro e a mente.

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O especialista frisa, contudo, que essa hipótese precisaria ser confirmada experimentalmente. Os médiuns recrutados foram escolhidos por serem reconhecidos pelo grau de acerto de suas predições, que praticavam pelo menos uma vez por semana a mediunidade e que não cobravam por consultas.