Juliana Ribeiro: ‘um livro raramente explode sozinho’

Nova colunista da Gazeta, consultora em marketing do mercado editorial explica mudanças e tendências do setor

Juliana Ribeiro é a nova colunista da Gazeta

Juliana Ribeiro é a nova colunista da Gazeta | Adrielle Gaseta/Gazeta de S.Paulo

A consultora em marketing do mercado editorial, Juliana Ribeiro, explicou que estratégias de venda são fundamentais para o sucesso de um livro. É raríssimo, contou, uma publicação se tornar best-seller sem técnicas específicas do setor.

Continua após a publicidade

“Um livro raramente explode sozinho”, destacou ela, sobre as campanhas de marketing, em entrevista para o podcast Direto da Gazeta, da TV GMG. Ela também foi anunciada como nova colunista da Gazeta.

Com mais de 20 anos de experiência e passagens pelas livrarias Cultura e da Vila, ela desenvolveu estratégias tanto para escritores quanto para editoras. Em sua trajetória tem cases como o “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” (Leandro Narloch) e  “Game of Thrones” (George R. R. Martin).

Ela relembrou casos emblemáticos, como o lançamento do” Guia Politicamente Incorreto…”. A interface entre a editora e os vendedores, relembrou, foi crucial para transformar a polêmica em vendas. 

Continua após a publicidade

Outro exemplo marcante foi o fenômeno “Game of Thrones”. “Instalamos tronos nas lojas e criamos comunidades de fãs. Tudo isso é pensado dentro da editora e comunicado ao vendedor para que ele leve ao cliente”.

Além das ações de marketing, a especialista disse que o envolvimento do livreiro é algo que deve ser cada vez mais incentivado. “O primeiro leitor é o vendedor de livros. Se ele não estiver convencido de que aquela obra é importante, dificilmente vai indicá-la”, destacou.

https://www.youtube.com/watch?v=MO0Dv7ZBQAY

Continua após a publicidade

Mercado em expansão

Hoje, disse, a população nacional voltou a dar mais importância aos livros, especialmente os físicos, em papel mesmo. Algo que ela notou que passou a acontecer a partir da pandemia da Covid-19. Após anos de domínio absoluto das telas, o confinamento forçou uma busca pelo entretenimento analógico, e o livro passou a ser visto como uma ferramenta de saúde mental.

“O livro contribui para diminuir a ansiedade porque você sai da luz intensa das telas, dedica-se ao silêncio e exercita a vida interior”, afirmou a consultora. Esse movimento não apenas resgatou leitores antigos, disse,  mas também fortaleceu a leitura em família, especialmente no setor infantil, que hoje é o que mais vende e é o responsável por formar novos leitores.

Em relação ao preço dos livros, ela afirmou que uma publicação passa por várias fases antes de chegar às prateleiras, por isso parece ser caro.  “Mas o problema não é o livro que ele é caro; o poder aquisitivo do brasileiro que é baixo. Quando [o leitor] tem que disputar se ele vai comprar um produto para a sua educação ou para se alimentar, obviamente o alimento ganha”.

Continua após a publicidade

Gigantes do mercado

Ela contou por que, em sua visão, gigantes do mercado passaram por problemas no mercado editorial. Para a especialista, o modelo de livrarias como Saraiva e Cultura se tornou insustentável pelas equipes gigantescas e à gestão falha do sistema de consignação. 

Em contrapartida, as livrarias de rua vivem um momento de florescimento em São Paulo. Menores, com curadorias especializadas – como livrarias dedicadas apenas a mulheres, artes ou futebol -, elas apostam no acolhimento e no senso de comunidade. 

“Lá, o livreiro lembra o seu nome e customiza o atendimento. Elas são sustentáveis porque têm uma gestão assertiva e um controle muito maior”.

Nova colunista da Gazeta

A partir da próxima semana, Juliana Ribeiro trará toda sua expertise para as páginas e o site da Gazeta. Sua coluna pretende “desnudar mitos” do mercado, falar de lançamentos, bienais e como os livros se conectam com as pautas do dia a dia.

Continua após a publicidade

Para quem busca uma recomendação, a especialista deixa sua dica pessoal: “O Mestre e a Margarida”, do ucraniano Mikhail Bulgakov, um clássico do realismo fantástico que, segundo ela, deve ser lido “com a luz acesa”.

Com um olhar que une a sensibilidade do “setor analógico” à precisão dos dados, Juliana Ribeiro reafirmou que o futuro do livro depende do contato humano e da formação de novos leitores, com atenção às mudanças sociais.