Multas por excesso de velocidade disparam no primeiro mês da quarentena em SP

Foram 486.866, quantidade 14,7% superior ao mês de março de 2020, que registrou 424.180 mil infrações desse tipo

Entre os recursos deferidos, entre os meses de julho a agosto de 2021, constam contestações sobre não usar cinto de segurança, dirigir segurando o telefone celular e efetuar manobra perigosa

Multas por excesso de velocidade disparam no primeiro mês da quarentena na cidade de São Paulo | /Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

A quantidade de multas aplicadas a motoristas da cidade de São Paulo por excesso de velocidade apresentou aumento significativo em de abril do ano passado, o primeiro mês completo após a decretação da quarentena em todo o estado devido à pandemia do novo coronavírus, no dia 24 de março de 2020. Os dados foram divulgados apenas nesta semana.

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Foram 486.866, quantidade 14,7% superior ao mês de março de 2020, que registrou 424.180 mil infrações desse tipo. Se comparado com abril 2019, o salto é ainda maior: de 57,6%, já que foram aplicadas 310.826 multas a motoristas que não respeitaram a velocidade máxima permitida.

Os dados são do Painel Mobilidade Segura, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, da gestão Ricardo Nunes (PSDB), que informa as multas cometidas na cidade.

Eles indicam que, apesar do avanço, no geral, a quantidade de multas aplicadas a motoristas da cidade de São Paulo caiu 26,87%. Em abril de 2019, foram emitidas 842.278 penalidades, número que passou a 615.965 em abril de 2020.

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Se a análise levar em conta o comparativo dos quatro primeiros meses do ano, a queda foi menor, de 3,21% (de 3.226.557 para 3.122.881).

“Com a quarentena, muitos veículos deixaram de circular. E isso impacta diretamente na quantidade de multas aplicadas”, afirma o advogado Fábio Karaver, especialista na área de trânsito e integrante da Comissão de Direito do Trânsito da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em São Paulo.

Proporcionalmente, as infrações por excesso de velocidade respondem por oito (79,53%) em cada dez multas aplicadas durante todo o mês de abril de 2020 (486.866 de 615.965). Em abril de 2019, essa proporção em relação ao todo foi bem menor, já que 36,9% (menos de quatro em cada dez) se enquadraram nesse tipo (310.826 das 842.278 anotadas).

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“Com menos gente circulando, os carros andam em velocidade praticamente livre, com maior chance de autuação por excesso de velocidade. É aquilo que o próprio trânsito se encarregada, de estimular os motoristas a dirigirem em uma velocidade maior”, afirma Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre de transportes pela USP (Universidade de São Paulo).

O envio das notificações e, consequentemente a cobrança, voltaram em janeiro passado, de forma escalonada, de acordo com o mês da atuação. No caso de abril, quando houve o aumento nas multas por excesso de velocidade na capital, os motoristas foram notificados em fevereiro.

Em nota, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da Prefeitura de São Paulo, disse que a fiscalização dos agentes de trânsito e dos radares é necessária para garantir a segurança viária, especialmente dos mais vulneráveis, que são os pedestres. “O número de autuações de trânsito é resultado direto do comportamento dos condutores”, afirma o texto.

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A companhia sustenta ainda que entre janeiro e abril do ano passado, 90% dos veículos da capital não foram autuados nenhuma vez.