Na próxima segunda-feira, 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água. Entretanto, com tantos problemas envolvendo este recurso natural, essencial para a sobrevivência humana, são poucos os motivos para comemorar.
Segundo informações do Instituto Trata Brasil, em 2019 (último dado disponível), as perdas de água potável no País ficaram em torno de 39,24%, com destaque para os estados do Amapá (73,57%), Amazonas (68,01%) e Roraima (65,37%).
No estado de São Paulo, as perdas de água potável foram de 34,94% no período analisado, ou seja, a cada 100 litros de água, quase 35 litros não chegam para ninguém. No Estado, as cidades de Santo André, Ribeirão Preto e Guarulhos apresentam os piores índices, de 54,12%, 52,9% e 52,7%, respectivamente. Na Capital, o índice foi de 34,38%.
Vazamentos e fraudes
De acordo com Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, os vazamentos e as fraudes são os principais responsáveis pelas chamadas perdas de água potável que, nada mais é do que o desperdício de água, antes dela chegar ao consumidor.
“O caminho que água percorre até chegar às nossas torneiras é longo. A partir das estações de tratamento até chegar às casas são muitos quilômetros por tubulações, muitas vezes antigas, que podem apresentar vazamentos, que, por sua vez, são as principais causas de perdas. Porém, vale lembrar, que os roubos, os gatos e as fraudes também contribuem para o problema”, explica Carlos.
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Impactos
Engana-se quem pensa que as consequências das perdas de água potável ficam restritas aos impactos ambientais. Para se ter uma ideia, em 2018, o Brasil deixou de arrecadar R$ 12 bilhões em perdas de água, montante equivalente a tudo que foi investido em saneamento naquele ano.
“A perda de água é a sustentabilidade ao contrário. Há a perda econômica, porque houve o gasto com o tratamento que não é pago; há a perda ambiental, pois é preciso retirar mais água; e tem uma perda social, visto que acaba dificultando a chegada da água para quem mora mais longe, sobretudo nas periferias”, ressalta Carlos.
Para tentar minimizar o problema, o especialista acredita na necessidade de uma série de ações. “Primeiro, é preciso fazer uma substituição periódica das tubulações. Tem que ir trocando essas redes, trocando relógios por hidrômetros mais novos, combater fraudes. Perda é uma coisa que não acaba nunca, o investimento deve ser perene”, diz ele, que lembra ainda que a população deve fazer sua parte, denunciando eventuais fraudes, roubos, gatos, entre outros eventos, para a empresa local responsável pelo abastecimento.
A Gazeta chegou a procurar a Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento na cidade de São Paulo, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Por outro lado, em uma entrevista à própria Gazeta em outubro do ano passado, o Governo de São Paulo frisou que nas 375 cidades onde atua por meio da Sabesp, no quadriênio de 2020 a 2024, serão investidos R$ 20 bilhões em saneamento, sendo R$ 8 bilhões em água e R$ 12 bilhões em coleta e tratamento de esgoto.
