Uma parte essencial do futuro porto de Tuas, em Singapura, está sendo construída longe dos olhos de quem passa pela costa. Sob a superfície do mar, 227 enormes estruturas de concreto formam uma barreira marítima de aproximadamente 9,1 quilômetros.
Os chamados caixões de concreto têm altura equivalente à de um edifício de dez andares. Eles são usados na segunda fase da expansão de Tuas Port e ajudam a sustentar a área que está sendo conquistada ao mar para receber a nova infraestrutura portuária.
Uma obra sob a água
A construção de Tuas foi planejada em quatro fases. Na segunda etapa, a área de recuperação de terrenos chega a 387 hectares, enquanto os caixões formam a estrutura de contenção marítima.
As peças são fabricadas em uma área próxima ao empreendimento, transportadas por via marítima e posicionadas sobre uma fundação preparada no fundo do mar. O sistema permite criar as paredes que delimitam a área posteriormente aterrada.
A própria Autoridade Marítima e Portuária de Singapura informa que todos os 227 caixões da segunda fase tiveram a fabricação concluída em abril de 2022. A estrutura completa dessa etapa alcança 9,1 quilômetros de barreira marítima.
Porto de 1.337 hectares
A dimensão da estrutura dá uma ideia do tamanho do projeto. Quando estiver concluído, Tuas Port ocupará aproximadamente 1.337 hectares, área equivalente a cerca de 3.300 campos de futebol.
O complexo terá 66 berços distribuídos por 26 quilômetros de cais e será preparado para receber grandes navios porta-contêineres. A capacidade projetada chega a 65 milhões de TEUs por ano, unidade usada internacionalmente para medir o transporte de contêineres de 20 pés.
A abertura do porto aconteceu em setembro de 2022, mas a expansão continuará pelas próximas décadas. A previsão da autoridade marítima é que o empreendimento esteja totalmente desenvolvido nos anos 2040.
Automação no centro
O concreto é apenas uma parte da transformação. Tuas foi planejado para funcionar como um terminal altamente automatizado, com sistemas digitais e equipamentos capazes de reduzir a necessidade de operação manual.
A proposta inclui guindastes automatizados, veículos autônomos para movimentação de cargas e sistemas digitais integrados ao funcionamento do terminal. A ideia é concentrar as operações portuárias de Singapura em Tuas ao longo dos próximos anos.
A tecnologia também aparece na própria construção. Durante as obras, foram utilizados sistemas automatizados para tarefas como o tratamento do concreto e o processamento das barras de aço usadas nas estruturas.
Um porto para décadas
Tuas não foi pensado apenas como uma ampliação convencional. O projeto reúne recuperação de terrenos, grandes estruturas marítimas, automação e digitalização em uma única instalação.
A expectativa é que a capacidade de 65 milhões de TEUs transforme o complexo em um dos principais terminais automatizados do planeta quando todas as etapas estiverem concluídas. Até lá, a gigantesca muralha formada pelos 227 caixões continuará sendo uma das partes menos visíveis, mas fundamentais, da obra.










