Porteiro é algemado e levado à delegacia durante panelaço contra Flávio Bolsonaro em Maceió; moradores denunciam truculência na abordagem policial

Abordagem ocorreu durante manifestação em Maceió; porteiro foi levado à delegacia por suspeita de perturbação do sossego

A panela utilizada pelo porteiro Edmilson durante a manifestação também foi apreendida e levada à delegacia. Foto: Reprodução/G1

A panela utilizada pelo porteiro Edmilson durante a manifestação também foi apreendida e levada à delegacia. Foto: Reprodução/G1

Um porteiro foi algemado por policiais militares e conduzido à Central de Flagrantes durante um protesto contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), na noite de sexta-feira (16/10), na Avenida Senador Rui Palmeira, no bairro de Ponta Verde, em Maceió.

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Segundo testemunhas, a Polícia Militar foi chamada por um motorista que passou pelo local, ameaçou os manifestantes e tentou provocar uma briga. Moradores, por sua vez, questionaram a atuação dos policiais e denunciaram truculência durante a abordagem.

O trabalhador José Edmilson dos Santos participava do panelaço com moradores de um condomínio quando os policiais chegaram. Ele foi algemado e levado à delegacia sob suspeita de perturbação do sossego. Após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), foi liberado.

O protesto ocorreu durante a entrevista de Flávio Bolsonaro ao Jornal Nacional, da TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, no Rio de Janeiro. O candidato disputa o segundo turno das eleições presidenciais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Em nota enviada ao portal g1, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral da corporação vai investigar a conduta dos agentes envolvidos. A panela utilizada por Edmilson durante a manifestação também foi apreendida e levada à delegacia.

Motorista teria ameaçado manifestantes antes de chamar a polícia

O assistente social Felipe Leonardo, de 38 anos, contou ao g1 que estava em frente ao prédio onde mora, segurando uma bandeira e batendo panela, quando o porteiro se juntou ao protesto.

Outros moradores também participavam da manifestação, tanto na entrada do condomínio quanto nas janelas dos apartamentos.

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De acordo com Felipe, um homem que passava de carro começou a insultar os manifestantes, fez gestos obscenos e ameaçou agredi-los. O motorista teria parado o veículo, descido e desafiado o assistente social para uma briga, mas ele se recusou a deixar o condomínio.

“Ele começou a xingar todo mundo, ameaçando, dizendo que as pessoas tinham que morrer, ter vergonha na cara. Quando parou na frente do meu prédio, onde eu estava balançando a bandeira, começou a me xingar, com ofensas homofóbicas e ameaças de morte”, relatou ao g1.

Ainda segundo Felipe, o próprio motorista chamou a Polícia Militar depois da discussão. O assistente social registrou um boletim de ocorrência contra ele, relatando as ameaças e ofensas.

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Moradores questionaram uso de algemas contra porteiro

Felipe afirmou que dois policiais militares chegaram ao condomínio e exigiram a abertura do portão. Segundo o relato, os agentes determinaram o fim do panelaço e abordaram Edmilson, que estava em serviço na portaria.

“Ele [Edmilson] estava falando muito tranquilo: ‘Eu não estou fazendo nada de errado, estou no meu espaço de trabalho’. Eles entraram na guarita e um dos policiais falou para o comandante: ‘Comandante, eu vou algemar'”, contou.

Em um vídeo gravado por moradores, um dos policiais explica que o porteiro seria levado à delegacia por suspeita de perturbação do sossego. Segundo o agente, Edmilson teria batido uma panela contra o muro enquanto a equipe fazia uma advertência.

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Na gravação, moradores perguntam por que somente Edmilson seria conduzido à delegacia, já que outras pessoas também participavam do protesto. O policial responde que o flagrante havia sido cometido pelo porteiro e afirma que ele não estava sendo preso, mas apresentado ao delegado, responsável por decidir como a ocorrência seria registrada.

Advogado do porteiro questiona legalidade da abordagem

O advogado Mateus Gonzaga, responsável pela defesa do porteiro, afirmou, também ao g1, que Edmilson demorou a abrir o portão porque estava afastado da guarita quando os policiais chegaram.

Segundo o defensor, o trabalhador recebeu voz de prisão inicialmente por suspeita de desacato. No entanto, a ocorrência acabou registrada na Central de Flagrantes como perturbação do sossego.

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“Para mim, é um absurdo o que aconteceu em Maceió. É uma violação, um cerceamento da liberdade de expressão e do direito à livre manifestação do senhor José Edmilson, que estava no seu posto de trabalho, juntou-se a tantos outros manifestantes e foi conduzido pela Polícia Militar”, declarou.

Gonzaga contestou a atuação policial e disse que pretende avaliar as medidas cabíveis.

Felipe relatou que moradores acompanharam Edmilson até a delegacia e procuraram assistência jurídica para o trabalhador. O síndico do condomínio também entrou em contato com ele para manifestar solidariedade.

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MP Eleitoral e OAB pedem investigação

O Ministério Público Eleitoral e a Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) anunciaram medidas para apurar a abordagem que terminou com a condução do porteiro à delegacia.

O MP Eleitoral informou que vai instaurar um procedimento administrativo e solicitar esclarecimentos às Polícias Militar e Civil sobre a ocorrência.

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A OAB/AL, por sua vez, acionou a Polícia Civil e o Ministério Público de Alagoas (MPAL) para investigar a legalidade da abordagem e a conduta dos policiais envolvidos.

As duas instituições ressaltaram a importância de assegurar os direitos constitucionais à liberdade de expressão e à manifestação pacífica.