O ano de 2020 já é considerado o pior da história do Pantanal em número de queimadas, mas não é apenas o bioma localizado no Centro-Oeste brasileiro que está em chamas, as vegetações presentes no estado de São Paulo também estão sofrendo com o fogo em 2020.
Segundos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre janeiro e o início de outubro deste ano, o estado de São Paulo já soma 5.822 focos de incêndios detectados por satélite. O número é quase o dobro do registrado nos dez primeiros meses do ano passado (2.974) e supera em 89% os focos detectados no Estado durante todo ano de 2019.
Se considerados os dados do Corpo de Bombeiros, a situação é ainda mais alarmante, visto que a entidade já registrou 31.932 ocorrências de incêndios em vegetação em 2020, um acréscimo de 17,5% sobre as 27.164 ocorrências registradas no mesmo período de 2019.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tempo seco é a principal causa para o aumento nos incêndios observados em 2020. Contudo, para a professora da graduação em tecnologia de Gestão Ambiental Raquel Alfieri, do Senac EAD, a explicação passa por outros fatores.
“Inicialmente é importante destacar que o problema é sistemático em todo Brasil e não apenas no estado de São Paulo, estimulado por uma série de fatores. Anualmente, no período de junho a setembro, há uma intensificação dos processos de queimadas intencionais em quase todos os biomas. Mesmo sendo uma prática proibida, apenas permitida com o aval dos órgãos ambientais, as ações criminosas têm se intensificado nos últimos anos”, afirma.
Outro ponto observado pela especialista é o fenômeno climático La Niña. “Há um resfriamento das águas do Oceano Pacífico e isso altera as condições climáticas de várias regiões. O resultado direto no país é a mudança no padrão de chuva na Amazônia e a estiagem e alta temperatura na região Centro-Oeste, com efeitos diretos na faixa Paulista, como na região de Ribeirão Preto e São Carlos”, completa.
Consequências
No que diz respeito às consequências, a especialista alerta: “o prejuízo é expressivo”, implicando na extinção de várias espécies de plantas que podem não estar catalogadas, bem como no sofrimento dos animais, que perdem seus habitats e acabam migrando para áreas agrícolas e até urbanas, quando não morrem carbonizados, como é comum com répteis e anfíbios, que não possuem tanta agilidade para fugir dos locais atingidos.
A população também não deixa de ser atingida, visto que há piora no sistema imunológico e respiratório e até consequências imediatas, como interrupção de energia.
Combate
Na opinião de Raquel o combate às queimadas passa por um fortalecimento das estruturas, com maior efetivo para fiscalização, equipamentos, brigadistas capacitados e espaço para receber e cuidar dos animais feridos.
Em São Paulo, segundo Governo do Estado, houve investimento de R$ 6 milhões da Câmara de Compensação nas atividades preventivas da Operação Corta Fogo, entrega de mais de 150 novas viaturas à Polícia Militar Ambiental, além de 18 drones e quase 300 tablets, sendo que, este ano, já houve aplicação de 629 multas por queimadas, totalizando o valor de cerca de R$ 17 milhões.
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Interrupções de energia
De acordo com a CPFL Energia, entre janeiro e setembro deste ano, as queimadas foram responsáveis por 3.093 interrupções de energia, impactando 300 municípios. “Quando uma queimada é realizada sem a autorização dos órgãos ambientais competentes e de forma irresponsável, o fogo muitas vezes sai do controle e atinge áreas habitadas, de preservação e redes de transmissão e distribuição de energia. Nesses casos, o fornecimento fica prejudicado, causando transtornos aos clientes das distribuidoras do grupo CPFL Energia”, diz a Concessionária em nota.
Procurada, a Enel Distribuição São Paulo informa que não registrou nenhum caso de interrupção no fornecimento de energia em função de queimadas no Estado de São Paulo este ano em sua área de concessão, que abrange 24 municípios da Grande São Paulo, incluindo a Capital.
Onde denunciar
Para que o Estado não sofra ainda mais com as queimadas, a população pode contribuir não jogando bitucas de cigarro acesas nas estradas, não soltando balões e evitando acender fogueiras, especialmente próximo às matas e florestas.
Em caso de incêndios florestais deve se acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e para denunciar queimadas ilegais pode se acionar o site http://denuncia.sigam.sp.gov.br/
