O dólar pode subir ou cair na segunda-feira (26), primeiro dia útil após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A direção da moeda americana dependerá da interpretação dos investidores sobre o resultado das urnas, das perspectivas para a economia brasileira e das condições do mercado internacional.
Mais do que a vitória de um candidato, os agentes financeiros avaliam como o próximo governo pretende conduzir as contas públicas, a dívida do país e a política econômica. A percepção de risco influencia as decisões de investimento e pode provocar mudanças na procura por reais e dólares.
Na sexta-feira (23), último pregão antes da votação, o dólar comercial operava praticamente estável, cotado a R$ 4,99 por volta das 16h50, segundo consultado no Google. O mercado também acompanhava a prévia da inflação, o preço do petróleo e as movimentações das bolsas internacionais.
Por que o resultado das eleições influencia o dólar?
O dólar é negociado em um mercado que responde à oferta e à demanda pela moeda. No Brasil, a taxa de câmbio é flutuante, ou seja, seu valor não é fixado pelo governo, mas determinado pelas operações realizadas entre os participantes do mercado.
Segundo o Banco Central, a cotação é influenciada por fatores nacionais e internacionais, incluindo a entrada e a saída de recursos estrangeiros, os investimentos e o comércio exterior.
Durante as eleições, os investidores tentam antecipar os efeitos das propostas dos candidatos sobre o crescimento econômico, as contas públicas, a inflação e os juros. Quando as perspectivas são consideradas favoráveis, o Brasil pode atrair mais recursos estrangeiros, aumentando a oferta de dólares e contribuindo para a queda da cotação.
Por outro lado, quando cresce a percepção de risco, investidores podem reduzir a exposição a ativos brasileiros e buscar proteção em moedas consideradas mais seguras, como o dólar. Esse movimento pode pressionar a cotação para cima.
Isso não significa, porém, que toda vitória eleitoral provoque automaticamente uma alta ou uma queda da moeda americana. A reação depende das expectativas que já estavam incorporadas aos preços antes da votação e de como o resultado altera essas projeções.
Dólar pode cair na segunda-feira?
Uma queda do dólar é possível caso o resultado eleitoral seja interpretado pelos investidores como favorável à estabilidade econômica e à previsibilidade das políticas públicas.
Entre os fatores que podem contribuir para esse movimento estão sinalizações de compromisso com o equilíbrio das contas públicas, maior clareza sobre a futura equipe econômica e perspectivas positivas para os investimentos no país.
Nesse cenário, a entrada de recursos estrangeiros pode aumentar a oferta de moeda americana no mercado brasileiro, favorecendo a valorização do real.
Entretanto, mesmo uma reação inicial positiva pode perder força se surgirem dúvidas sobre a execução das propostas econômicas, a relação do Executivo com o Congresso ou a sustentabilidade da dívida pública.
Em quais situações o dólar pode subir?
A moeda americana pode ganhar força diante de preocupações com o aumento das despesas públicas, a trajetória da dívida ou a capacidade do próximo governo de implementar suas propostas.
Se os investidores considerarem que o cenário econômico ficou mais arriscado, parte deles pode buscar ativos considerados mais seguros, reduzindo a exposição ao mercado brasileiro. A maior procura por dólares tende a pressionar a cotação para cima.
A reação também pode ser influenciada por acontecimentos externos. Decisões sobre os juros dos Estados Unidos, mudanças nas perspectivas para a economia mundial e tensões geopolíticas podem alterar o fluxo internacional de recursos, independentemente do resultado eleitoral brasileiro.
Por isso, a cotação observada na abertura do pregão não necessariamente indica a tendência para os dias seguintes.
O que o mercado vai observar após a votação?
Além do resultado eleitoral, investidores devem acompanhar os primeiros pronunciamentos do presidente eleito, as sinalizações sobre a equipe econômica e as perspectivas para as contas públicas.
A composição do Congresso Nacional e a capacidade de articulação política também entram na análise, pois influenciam a possibilidade de aprovação de medidas econômicas.
Outro indicador importante é o comportamento dos juros futuros, que refletem as expectativas dos investidores para as taxas de juros ao longo do tempo. Mudanças nessas projeções podem acompanhar as oscilações do câmbio e da Bolsa de Valores.
O cenário internacional também merece atenção, especialmente o comportamento do dólar diante de outras moedas, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e os preços das commodities.
Como a alta ou a queda do dólar afeta o consumidor?
As oscilações do câmbio não ficam restritas ao mercado financeiro. Uma alta do dólar pode encarecer produtos importados, eletrônicos, medicamentos, equipamentos e insumos utilizados pela indústria brasileira.
O efeito também pode chegar aos combustíveis e aos alimentos, embora a intensidade e a velocidade da transmissão dependam de outros fatores, como custos de produção, estoques, preços internacionais e decisões das empresas.
Quando o dólar cai, alguns desses custos podem diminuir, mas isso não significa que os preços ao consumidor serão reduzidos imediatamente. O repasse depende das condições de cada mercado e pode ocorrer com atraso.
Para quem pretende viajar ao exterior, a cotação também influencia o custo da compra de moeda estrangeira. É importante lembrar que o dólar turismo, utilizado em operações relacionadas a viagens, pode ter valor diferente do dólar comercial, devido às características e aos custos de cada operação.
A cotação de segunda-feira define a tendência para os próximos meses?
Não necessariamente. O primeiro pregão após a eleição representa uma reação inicial às informações disponíveis, e não uma previsão definitiva para o comportamento do câmbio.
O movimento pode ser intenso no começo da semana e perder força nos dias seguintes, à medida que os investidores avaliam novas informações e ajustam suas posições.
Para acompanhar as perspectivas de médio prazo, uma das referências é o Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central. O documento reúne projeções de instituições do mercado para indicadores como inflação, crescimento econômico, taxa Selic e câmbio. As estimativas representam expectativas dos participantes, não previsões oficiais do Banco Central.
Assim, o comportamento do dólar após as eleições dependerá da combinação entre o resultado das urnas, a confiança nas perspectivas econômicas do país e os acontecimentos internacionais. A cotação de segunda-feira será um primeiro sinal dessa avaliação, mas sua continuidade dependerá dos próximos passos políticos e econômicos.







