A Rocha Terminais Portuários e Logística definiu o estado de São Paulo como o próximo alvo de sua expansão nacional. A tradicional empresa paranaense fundada há 162 anos prepara um pacote de investimentos superior a R$ 1 bilhão para os próximos anos, reservando parcela expressiva dessa verba para ingressar no Porto de Santos dentro de três a quatro anos. Hoje, a empresa é responsável por movimentar cerca de 25% de todo o fertilizante importado que entra no Brasil
O objetivo do grupo é fincar bandeira no maior porto da América Latina e atender à demanda de grandes multinacionais que operam o escoamento de grãos e a importação de insumos agrícolas no corredor paulista.
Da crise dos contêineres à liderança na importação de fertilizantes
A história da Rocha é marcada por reestruturações de modelo de negócio. Nos anos 2000, quando a empresa era focada no segmento de contêineres em Paranaguá, a perda de uma licitação portuária forçou a diretoria a migrar para o setor de fertilizantes. A aposta transformou o perfil da companhia, que saltou de um faturamento de R$ 5 milhões na época para alcançar uma receita de R$ 872,4 milhões em 2025.
Hoje, a empresa é responsável por movimentar cerca de 25% de todo o fertilizante importado que entra no Brasil, mantendo operações ativas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Maranhão e Amapá.
Automação de terminais e aportes de R$ 700 milhões
O plano de expansão dá sequência ao ciclo recente de investimentos, que somou mais de R$ 700 milhões entre 2024 e 2025. Os recursos foram aplicados na instalação de esteiras rolantes operacionais que levam o produto diretamente dos navios aos armazéns em Paranaguá, dispensando o uso de caminhões na faixa de cais.
O grupo investiu também R$ 60 milhões em dois descarregadores de grande porte e destinou R$ 300 milhões para erguer o novo terminal no Cais Oeste paranaense, que amplia a capacidade de embarque de soja, milho e sorgo.
Desafios de caixa e escassez de profissionais no setor
Para sustentar o crescimento previsto para a próxima década, quando pretende quadruplicar de tamanho, a Rocha realizou sua estreia no mercado de capitais com a captação de R$ 400 milhões em debêntures com nota AA+ pela S&P Global Ratings.
Apesar da sólida geração de caixa, com previsão de EBITDA de 310 milhões de reais para 2026, a diretoria mantém cautela no controle de custos e no endividamento. Outro obstáculo crítico apontado pela gestão é a dificuldade de contratar e treinar mão de obra especializada para operar terminais automatizados em regiões remotas do país.







