O patrocínio de R$ 1 bilhão das bets a 13 dos 20 clubes da Série A em 2026 está sob ameaça diante da intenção do governo federal de extinguir o setor no País. O levantamento da “Revista Placar” evidencia a dependência orçamentária dos times de futebol no momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança com uma Medida Provisória para impor restrições ao mercado de apostas.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na quarta-feira (23), no Rio de Janeiro, que os times terão de buscar outras receitas e “aprender a viver sem” o dinheiro das bets.“Essa não é uma guerra, é uma decisão”, afirmou o Presidente, que associou o setor a problemas sociais, aos efeitos dos algoritmos sobre a juventude e a indícios de lavagem de dinheiro.
O patrocínio de bets no futebol ocupa o espaço mais nobre da camisa em 65% da elite. Em 13 dos 20 times, uma bet é patrocinador master. Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Mirassol e Red Bull Bragantino, os outros sete, não têm bet como patrocinador master.
Flamengo lidera patrocínio com 28% do bilhão das bets
Com R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio apurado pela Placar, o Flamengo lidera com R$ 268,5 milhões por ano da Betano, o maior valor-base do futebol nacional. Os 13 contratos de patrocinador master da tabela somam R$ 958,5 milhões em valores-base, e o Flamengo fica com 28% desse total. Só o contrato rubro-negro supera a soma dos sete menores, R$ 232 milhões, pagos a Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Santos, Vitória, Remo e Chapecoense.
Veja os valores pagos pelas bets na Série A do futebol
Pressão dos clubes por regras em vez de banimento
Na última quarta-feira (17/9), Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Fluminense, Flamengo, Vasco e Cruzeiro, entre outros times, publicaram um manifesto conjunto nas redes sociais, seis dias antes da fala de Lula. A Federação Paulista de Futebol e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro também divulgaram o texto. Os oito clubes citados têm contratos com bets e recebem R$ 706,5 milhões em valores-base, quase 74% da tabela.
O documento alerta para o risco de desorganização financeira se o patrocínio de bets no futebol for inviabilizado. Os clubes afirmam que as casas de aposta autorizadas viraram fonte importante de receitas do esporte e que a perda atingiria a folha de pagamento dos clubes da Série A, além de equipes menores, divisões de acesso e competições regionais. Em trecho do manifesto, argumentam:
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades
Governo estuda quatro cenários, MP ainda não tem texto
A medida ainda não saiu do papel. O anúncio do presidente Lula indica a diretriz do governo federal, mas o texto depende de alinhamento entre os ministérios e de análise de viabilidade jurídica. Os técnicos do Ministério da Fazenda elaboram a MP, e a equipe segue dividida quanto à profundidade da intervenção.
O presidente Lula se reuniu com ministros na quarta-feira (23) para tratar do avanço das restrições e reforçou o interesse em interromper o funcionamento das plataformas no país.
Uma restrição ao patrocínio de bets no futebol custaria de dezenas a centenas de milhões de reais por temporada. O Executivo avalia quatro cenários:
- proibição total das apostas no território nacional;
- veto total ou parcial à publicidade comercial das bets;
- banimento exclusivo dos cassinos virtuais e jogos de azar online, como o “Jogo do Tigrinho”;
- regras graduais para a transição do mercado regulado.
Com R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio de bets no futebol, a equipe econômica e os consultores jurídicos ponderam os riscos de questionamentos na Justiça e as possíveis perdas de arrecadação fiscal antes de fechar o texto.













