Dolly Parton, a lendária estrela do country norte-americano que faleceu nesta terça-feira (25/8) aos 80 anos, batizou indiretamente um dos maiores marcos da ciência moderna: a ovelha Dolly, o primeiro mamífero que cientistas clonaram com sucesso a partir de uma célula adulta.
Além de deixar um imenso legado musical e cultural, a artista de Nashville fez com que a biologia e a cultura pop se unissem em uma história fascinante que redefiniu para sempre os rumos da medicina.
O ‘batismo’ inusitado que uniu ciência e música pop
Os pesquisadores Keith Campbell e Ian Wilmut, do Instituto Roslin, na Escócia, lideraram o experimento histórico que trouxe a ovelha ao mundo em 1996. Para realizar a clonagem, a equipe retirou o material genético da glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Finn Dorset.
Como a célula de origem pertencia ao tecido mamário do animal, os cientistas decidiram batizar o embrião em referência à estrela country, famosa por seus decotes generosos.
Em entrevista posterior à revista People, Dolly Parton revelou que gostou da homenagem bem-humorada.
A célula veio das glândulas mamárias (dos seios) e, por isso, os pesquisadores lembraram dela, conhecida além de seu talento pelo seu busto “avantajado”.
A quebra de um dogma científico na biologia
Embora a famosa ovelha tenha nascido em 5 de julho de 1996, os cientistas do Instituto Roslin mantiveram o segredo por alguns meses.
A equipe só anunciou o feito histórico ao público em fevereiro de 1997, provocando debates éticos imediatos no mundo inteiro.
Essa descoberta rompeu o dogma científico de que células adultas especializadas não poderiam retornar ao estágio inicial para gerar um organismo completo.
A partir deste feito, laboratórios de diversos países começaram a clonar outros mamíferos de grande porte, como porcos, cavalos e bovinos.
A vida breve da ovelha e o adeus a Dolly Parton
A ovelha Dolly viveu toda a sua trajetória nas instalações do instituto escocês, onde gerou seis cordeiros ao longo da vida.
Contudo, o animal enfrentou problemas de saúde precoces, incluindo sinais de artrite ainda em 2001. Em fevereiro de 2003, exames detalhados revelaram tumores graves em seu tórax.
Para poupar o animal de sofrimentos maiores, os veterinários realizaram a eutanásia em 14 de fevereiro de 2003, quando Dolly tinha apenas seis anos.
Atualmente, o Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo, exibe o corpo empalhado da ovelha em suas galerias de Ciência e Tecnologia.
Anos após o ocorrido, Dolly Parton comentou ao jornal The Guardian que sentiu tristeza com a morte da ovelha, mas descartou o desejo de ter um clone de si mesma.
A morte de Dolly Parton nesta terça-feira (25/8), dias após sua última aparição virtual na inauguração de uma atração em seu parque Dollywood na sexta-feira (21/8), encerra um capítulo brilhante da cultura pop.
Mesmo assim, o seu nome permanece vivo na história da ciência, já que a clonagem da ovelha Dolly abriu caminhos definitivos para as pesquisas modernas de células-tronco pluripotentes e para a medicina regenerativa.
