A trajetória de Zezé Motta acaba de ganhar uma nova leitura nos palcos com o espetáculo “Prazer, Zezé! O musical”, que estreou no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, onde fica em cartaz até o dia 21 de abril.
Com sessões de quinta a domingo, a montagem propõe mais do que uma homenagem: constrói um retrato crítico e multifacetado de uma das figuras mais emblemáticas da cultura brasileira contemporânea.
Zezé: pioneira e protagonista
Reconhecida por sua atuação pioneira e pela presença marcante em diferentes linguagens artísticas, Zezé Motta consolidou uma carreira que atravessa mais de seis décadas.
Ao longo desse percurso, enfrentou as limitações impostas por um mercado historicamente excludente e ajudou a redefinir espaços de protagonismo para mulheres negras nas artes. Essa dimensão política e estética é o eixo central do musical.
A diretora artística Débora Dubois destaca que o espetáculo nasce da recusa em simplificar essa trajetória. “A história da Zezé não cabe em um retrato confortável. É a narrativa de uma artista que precisou disputar cada espaço, em um país que naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares centrais da cena”, afirma.
Detalhes da trama
A encenação percorre diferentes momentos da vida da artista, desde a juventude em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, à formação no Teatro Escola Tablado, passando pelo impacto de Roda Viva, sob direção de Zé Celso, até a consagração no cinema com Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues.
Ao invés de uma narrativa linear, o texto aposta em fragmentos que articulam conquistas, tensões e recomeços, compondo o retrato de uma artista que transformou presença em linguagem e voz em afirmação.
No palco, Larissa Noel, um dos grandes nomes do teatro musical brasileiro, interpreta Zezé Motta em diferentes fases da vida. O elenco reúne 11 atores, acompanhados por uma banda de oito músicos, em uma encenação que integra música e teatro ao vivo.
A trilha sonora resgata canções que dialogam com a trajetória da artista e com o contexto histórico de sua carreira, como “Senhora Liberdade”, “Tigresa” e “Muito Prazer, Zezé”.
Leitura crítica sobre poder, racismo, desejo e permanência
Com dramaturgia de Toni Brandão e direção de Débora Dubois, o espetáculo se afasta de uma abordagem meramente celebratória. Em seu lugar, propõe uma leitura crítica sobre poder, racismo, desejo e permanência, destacando as contradições e a força de uma trajetória construída em meio a desigualdades estruturais.
A montagem tem direção musical de Cláudia Elizeu, direção de arte de Billy Castilho, coreografia de Tainara Cerqueira e Priscila Borges, figurinos assinados por Lena Santana e desenho de luz de Wagner Pinto.
Produzido pela Gávea Filmes, o musical é realizado pelo Ministério da Cultura e pelo Sesc São Paulo, com patrocínio da Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Elenco estrelado
Além de Larissa Noel, participam da montagem Anastácia Lia, Arthur Berges, Adriano Tunes, Fernando Rubro, Luciana Ramanzini, Luciana Carnieli, Hipólyto – ator que já concedeu uma entrevista exclusiva para a Gazeta -, Maria Antônia Ibraim, Moara Sacchi e Will Sancar.
Serviço – “Prazer, Zezé! O musical”
Onde? Sesc14Bis–Teatro Raul Cortez – Rua Dr. Plínio Barreto, 285–2º andar –Bela Vista, São Paulo
Quando? Até 21 de abril; quintas, às 15h e 20h; sextas e sábados, às 20h; domingos e feriados, às 18h
Quanto? R$ 70 inteira, R$ 35 meia-entrada e R$ 21 credencial plena






