Zezé Motta ganha musical que revisita sua trajetória com olhar crítico e contemporâneo

Espetáculo em cartaz no Sesc 14 Bis, em São Paulo, percorre seis décadas da artista e reflete sobre racismo, protagonismo e resistência nas artes brasileiras

Reconhecida por sua atuação pioneira e pela presença marcante em diferentes linguagens artísticas, Zezé Motta consolidou uma carreira que atravessa mais de seis décadas

Reconhecida por sua atuação pioneira e pela presença marcante em diferentes linguagens artísticas, Zezé Motta consolidou uma carreira que atravessa mais de seis décadas | Reprodução/Instagram

A trajetória de Zezé Motta acaba de ganhar uma nova leitura nos palcos com o espetáculo “Prazer, Zezé! O musical”, que estreou no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, onde fica em cartaz até o dia 21 de abril. 

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Com sessões de quinta a domingo, a montagem propõe mais do que uma homenagem: constrói um retrato crítico e multifacetado de uma das figuras mais emblemáticas da cultura brasileira contemporânea.

Zezé: pioneira e protagonista

Reconhecida por sua atuação pioneira e pela presença marcante em diferentes linguagens artísticas, Zezé Motta consolidou uma carreira que atravessa mais de seis décadas.

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Ao longo desse percurso, enfrentou as limitações impostas por um mercado historicamente excludente e ajudou a redefinir espaços de protagonismo para mulheres negras nas artes. Essa dimensão política e estética é o eixo central do musical.

A diretora artística Débora Dubois destaca que o espetáculo nasce da recusa em simplificar essa trajetória. “A história da Zezé não cabe em um retrato confortável. É a narrativa de uma artista que precisou disputar cada espaço, em um país que naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares centrais da cena”, afirma.

Detalhes da trama

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A encenação percorre diferentes momentos da vida da artista, desde a juventude em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, à formação no Teatro Escola Tablado, passando pelo impacto de Roda Viva, sob direção de Zé Celso, até a consagração no cinema com Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues.

Ao invés de uma narrativa linear, o texto aposta em fragmentos que articulam conquistas, tensões e recomeços, compondo o retrato de uma artista que transformou presença em linguagem e voz em afirmação.

No palco, Larissa Noel, um dos grandes nomes do teatro musical brasileiro, interpreta Zezé Motta em diferentes fases da vida. O elenco reúne 11 atores, acompanhados por uma banda de oito músicos, em uma encenação que integra música e teatro ao vivo.

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A trilha sonora resgata canções que dialogam com a trajetória da artista e com o contexto histórico de sua carreira, como “Senhora Liberdade”, “Tigresa” e “Muito Prazer, Zezé”.

Leitura crítica sobre poder, racismo, desejo e permanência

Com dramaturgia de Toni Brandão e direção de Débora Dubois, o espetáculo se afasta de uma abordagem meramente celebratória. Em seu lugar, propõe uma leitura crítica sobre poder, racismo, desejo e permanência, destacando as contradições e a força de uma trajetória construída em meio a desigualdades estruturais.

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A montagem tem direção musical de Cláudia Elizeu, direção de arte de Billy Castilho, coreografia de Tainara Cerqueira e Priscila Borges, figurinos assinados por Lena Santana e desenho de luz de Wagner Pinto.

Produzido pela Gávea Filmes, o musical é realizado pelo Ministério da Cultura e pelo Sesc São Paulo, com patrocínio da Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Elenco estrelado

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Além de Larissa Noel, participam da montagem Anastácia Lia, Arthur Berges, Adriano Tunes, Fernando Rubro, Luciana Ramanzini, Luciana Carnieli, Hipólyto – ator que já concedeu uma entrevista exclusiva para a Gazeta -, Maria Antônia Ibraim, Moara Sacchi e Will Sancar.

Serviço – “Prazer, Zezé! O musical”

Onde? Sesc14Bis–Teatro Raul Cortez – Rua Dr. Plínio Barreto, 285–2º andar –Bela Vista, São Paulo

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Quando? Até 21 de abril; quintas, às 15h e 20h; sextas e sábados, às 20h; domingos e feriados, às 18h

Quanto? R$ 70 inteira, R$ 35 meia-entrada e R$ 21 credencial plena