Sediar três Copas do Mundo, consagrar craques históricos e ter o status de “templo do futebol”: estes são alguns dos feitos que tornam o Estádio Azteca, local que receberá a abertura da edição de 2026 da maior competição do esporte bretão, um lugar único.
Localizada na capital mexicana, a Cidade do México, a arena foi fundada para aproveitar o ganho de popularidade do futebol no país. Com um projeto ambicioso, tornou-se um dos maiores estádios de futebol do planeta.
Além de toda a sua história e da participação do México como país-sede na Copa do Mundo de 2026, o Azteca promete contribuir ainda mais para as novidades e a história do futebol moderno.
Nascido da crescente paixão pelo futebol
O surgimento do Colosso de Santa Úrsula aconteceu na década de 1950, quando o empresário e fundador da Televisa, então Telesistema Mexicano de Televisão, Emilio Azcárraga Milmo, observou uma oportunidade de investimento.
Nessa época, o futebol vivia uma fase de crescimento no país, com diversos estádios locais ultrapassando a capacidade máxima durante partidas importantes, como o Torneio Pan-Americano de Seleções de 1956, sediado no México.
Azcárraga notou que esse nicho se popularizava cada vez mais e encontrou uma forma de sedimentar a cultura futebolística nacionalmente e explorar seus resultados: a construção de um novo e emblemático estádio.
A possibilidade de receber eventos mundiais também foi uma das motivações para a construção do Azteca. É o que explica o jornalista e historiador esportivo Celso Unzelte, em entrevista exclusiva à Gazeta de São Paulo: “O estádio começou a ser planejado visando uma futura candidatura do México para ser sede da Copa do Mundo de 1970, o que aconteceu de fato”.
Para tirar os planos do papel, o empresário buscou parcerias com outros investidores e clubes nacionais, como América, Necaxa e Atlante.
As obras começaram em 1962 e terminaram em 1966, com um estádio com capacidade superior a 110 mil pessoas e inspirado em outras grandes arenas do futebol mundial.
Unzelte explica que, desde sua origem, o Azteca tem uma profunda ligação com os brasileiros: “O estádio foi inaugurado por uma partida entre América e Torino, da Itália. O placar do jogo foi aberto por um brasileiro: o baiano Arlindo dos Santos, revelado pelo Botafogo e meio-campista do clube mexicano”.
Importância para o futebol
O Estádio Azteca se transformou em um dos maiores símbolos da história do futebol. Ele foi projetado para ser um dos estádios mais grandiosos do planeta.
Sua capacidade colossal e sua atmosfera única fizeram com que se tornasse palco de alguns dos momentos mais importantes do esporte.
Uma das maiores marcas do Azteca é seu protagonismo nos Mundiais. O estádio entrou para a história ao sediar duas finais de Copas do Mundo, em 1970 e 1986, feito que nenhum outro estádio alcançou nos mesmos moldes.
Na história, o único que se aproxima dele é o Maracanã. “Há uma certa controvérsia se ele é o único a sediar duas finais, porque o Maracanã sediou em 1950 e em 2014. Mas, em 1950, tecnicamente não era uma final, era o jogo decisivo de pontos corridos”, diz Celso.
Pelé e Maradona
Poucos lugares no mundo podem dizer que testemunharam os maiores momentos de dois dos maiores jogadores da história.
Foi no Azteca que Pelé se consagrou rei do futebol e levantou sua terceira taça da Copa do Mundo, em 1970, vencendo a Itália por 4 a 1.

Em 1986, o estádio também foi palco de uma das atuações mais icônicas do futebol, quando Diego Maradona marcou o famoso gol de mão e liderou a Argentina contra a Inglaterra nas quartas de final. Posteriormente, a seleção argentina foi campeã.

O tri de Pelé e a “La Mano de Dios” de Maradona transformaram o estádio em um verdadeiro santuário do futebol. “Ser o estádio com mais jogos de Copa, nenhum país recebeu três Copas do Mundo, e ser o palco da consagração de Pelé e Maradona já basta para diferenciar o Azteca de outros estádios”, complementou Unzelte.
Modernização e desafios
Para continuar recebendo novos eventos culturais e esportivos de grande público, o Azteca precisou passar por reformas para se manter atual.
Visando receber a Copa do Mundo de 2026, o Colosso de Santa Úrsula contará com um campo com sistema híbrido de grama natural, sucção de água e injeção de ar; espaços de lazer com mais de 12 mil metros quadrados para o público e novos sistemas de áudio, vídeo e internet gratuita.
Apesar dessas renovações, algumas novidades que o estádio vivenciou ao longo do tempo geraram descontentamento entre os amantes do futebol.
Unzelte explica que as duas principais mudanças controversas são a redução da capacidade de público para 80 mil espectadores e a mudança do nome oficial do Azteca para Estádio Banorte, motivada pela venda dos naming rights da arena.
“Infelizmente, não é mais o mesmo Azteca. Mesmo com todas as mudanças necessárias, é bom lutar pela conservação da memória e da identidade do estádio, e isso é um grande desafio que, em geral, não tem sucesso”, afirma o historiador.
Ele complementa dizendo que essa perda de identidade é uma tendência moderna dos estádios de futebol. Isso afeta não apenas o Colosso de Santa Úrsula, mas também outros locais sagrados do esporte.













