Está em discussão na Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei que prevê que o horário de permissão para circulação de veículos no Elevado Presidente Costa e Silva seja estendido até às 21h30. Conhecido popularmente como Minhocão, o viaduto na região central da cidade permite atualmente que os veículos trafeguem até às 20h.
A proposta é do vereador Gilson Barreto (PSDB) que afirmou nesta quarta-feira (26), que pretende rever o texto. Antes ele pretendia que liberação de tráfego fosse estendida por uma hora e meia, agora ele afirma que irá alterar a proposta sugerindo que os carros circulem por trinta minutos a mais, até às 20h30.
Segundo o projeto apresentado em 2019, a mudança de horário visa dar maior fluidez ao trânsito e reduzir os assaltos na região. O Minhocão abre atualmente às 7h para carros e, desde 1976, há 46 anos, é fechado no período noturno para reduzir o barulho e a poluição aos moradores do entorno.
“Vamos mudar, eu acho que a tendência, ao menos agora, após uma análise, acho que 30 minutos é o suficiente. Vai contemplar as pessoas que trabalham no centro da cidade”, afirmou Barreto ao SP2.
“Retrocesso”
O arquiteto e urbanista Guido Otero, afirma que a medida proposta representa um retrocesso para a cidade. “É um retrocesso imenso. A gente estava discutindo a construção de uma cidade democrática, de uma cidade para o pedestre, para o ciclista e, de repente, a gente volta um passo pra trás na questão das políticas públicas para o centro”, opina.
A Prefeitura da Capital informou que um projeto de intervenção urbana para o viaduto continua em desenvolvimento e que não considera o parque como única opção para o elevado. Disse também que o prazo para a finalização do projeto de intervenção urbana do local depende de uma decisão da Justiça.
Moradores afirmam que estender do tempo de permanência de veículos no Minhocão aumenta a poluição sonora e reduz a utilidade do espaço de lazer.
“Eu acho isso um absurdo. É o direito à cidade. Já passa o dia todo assim, cheio de carro, muito barulho, mais poluição. Um espaço que está sendo usado pelas pessoas, que chamamos carinhosamente de prainha dos paulistas porque isso é gratuito, não é uma academia que você tem que pagar, seria muito triste se a gente perdesse isso”, diz a jornalista Helena Portilho que faz exercícios no local.
