A história de Robson Motta, adotado pela atriz Zezé Motta depois de passar parte da infância vivendo nas ruas do Rio de Janeiro, emocionou o público do programa “Avisa Lá Que Eu Vou”, do GNT. Aos 45 anos, ele relembrou ao apresentador Paulo Vieira o abandono aos 8 anos, os anos na Central do Brasil e o encontro inesperado com a artista, que mudaria o rumo de sua vida.
O relato foi exibido no episódio que foi ao ar na segunda-feira (2/11), com uma nova exibição na TV Globo na terça-feira (3/11). Durante a conversa, Robson contou que nasceu em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e foi entregue ainda criança a um casal pela mãe biológica, que havia sido vítima de violência sexual.
Segundo Robson, o casal que ficou responsável por ele acabou deixando o menino sozinho no calçadão de Nilópolis. A promessa era de que alguém voltaria para buscá-lo, mas isso não aconteceu.
Sem ter para onde ir, ele viu um trem e decidiu embarcar. O destino foi a Central do Brasil, onde passou a viver nas ruas.
Robson sonhava em ter uma família
Durante a entrevista com Paulo Vieira, Robson contou que a maior vontade naquela época era ter um lar. Ele imaginava que alguém entre as milhares de pessoas que passavam pela Central do Brasil perceberia que estava sozinho e o levaria para casa.
“Meu maior sonho era ter uma família. Ter uma geladeira, um lugar para morar”, lembrou.
Aos 13 anos, Robson procurou por conta própria o antigo Juizado de Menores. Ele contou que explicou a situação e pediu ajuda para encontrar uma família. Depois disso, foi encaminhado para um abrigo, onde passou a estudar e recebeu acompanhamento.
Foi nessa instituição que surgiu a oportunidade que mudaria novamente sua vida. Um educador social iria se casar e decidiu escolher um dos jovens do abrigo para acompanhá-lo na cerimônia. Robson foi sorteado.
No casamento, ele se sentou ao lado de uma mulher que não conhecia. Ela perguntou se o menino fazia parte da família do noivo. Robson explicou que morava em um abrigo e que havia ido à festa, principalmente, para comer.
A mulher quis saber por que ele vivia em uma instituição. Depois de ouvir a história, fez uma promessa ao garoto.
“Então, sexta-feira eu vou lá no abrigo e você vai ser meu filho. Agora eu sou sua mãe”, contou Robson, ao relembrar as palavras.
Encontro com Zezé Motta mudou a vida de Robson
A atriz cumpriu a promessa e foi até o abrigo. A aproximação entre os dois levou à adoção de Robson, que passou a fazer parte da família e adotou o sobrenome Motta.
Ao lembrar do encontro, ele se emocionou durante a entrevista e definiu Zezé como um “anjo” em sua vida.
O trecho publicado por Paulo Vieira nas redes sociais também provocou uma onda de comentários de famosos. Marisa Orth, Erika Januza, Ingrid Guimarães, Deborah Bloch, Monica Martelli e Eliana foram algumas das personalidades que reagiram ao relato e elogiaram a atitude da atriz.
Robson transformou a própria experiência em trabalho social. Em 2007, publicou o livro “À Procura de uma Família”, no qual aborda a infância e a importância dos vínculos familiares. Também criou a Rede Cultura Social, iniciativa voltada ao acesso de crianças e adolescentes a atividades culturais.
A trajetória dele ainda foi registrada pelo Museu da Pessoa, que reúne relatos de histórias de vida.
Zezé Motta, por sua vez, construiu uma carreira de quase seis décadas no cinema, na televisão, no teatro e na música. A atriz ficou marcada por trabalhos como “Xica da Silva” e também participou de diversas novelas e produções brasileiras.
A história de Robson, no entanto, ganhou um novo destaque ao ser contada novamente na televisão. Décadas depois de ter sido deixado nas ruas, ele pôde relembrar o momento em que ouviu as palavras que mais desejava na infância: que finalmente tinha encontrado uma mãe e uma família.
