Adeus, cães policiais: presídio de segurança máxima troca cachorros por gansos bravos e reduz custos do Estado

Com forte instinto territorial, gansos ajudam a monitorar o perímetro de um presídio de segurança máxima e ainda reduzem custos de manutenção

Estratégia adotada em Santa Catarina une comportamento natural das aves, tecnologia e economia para reforçar a segurança da unidade prisional (Foto: Reprodução/Youtube/G1)

Estratégia adotada em Santa Catarina une comportamento natural das aves, tecnologia e economia para reforçar a segurança da unidade prisional (Foto: Reprodução/Youtube/G1)

Quem passa pelos arredores de um presídio de segurança máxima em Santa Catarina dificilmente imagina que os principais “vigilantes” da unidade não têm quatro patas nem trabalham farejando suspeitos. No local, um grupo de aves exerce uma função que chama atenção pela eficiência e pelo baixo custo.

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Desde 2009, o Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, mantém um bando de gansos responsável por ajudar na proteção do perímetro. A estratégia complementa a vigilância eletrônica e aproveita o comportamento naturalmente territorial desses animais.

Em vez de substituir completamente os sistemas tradicionais de segurança, a iniciativa aposta na combinação entre tecnologia e instinto animal. O resultado é um modelo que desperta curiosidade e continua sendo utilizado mais de uma década após sua implantação.

Por que os gansos foram escolhidos

À primeira vista, a decisão pode parecer incomum. No entanto, especialistas explicam que os gansos possuem características que os tornam excelentes sentinelas naturais. Eles permanecem atentos ao ambiente e identificam rapidamente qualquer movimentação considerada fora do normal.

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Sempre que alguém desconhecido se aproxima da área protegida, as aves reagem quase imediatamente. O grupo começa a emitir sons altos e constantes, criando um alerta sonoro capaz de chamar a atenção dos agentes responsáveis pela segurança da unidade.

Outro diferencial está na dificuldade de aproximação. Ao contrário de outros animais, os gansos não costumam aceitar facilmente pessoas estranhas. Esse comportamento reduz as chances de distração e impede que invasores tentem conquistar a confiança das aves.

Economia também pesa na decisão

Além da eficiência na vigilância, a escolha também representa economia para os cofres públicos. A manutenção de um bando de gansos custa menos do que a criação de cães de grande porte treinados exclusivamente para atividades de guarda.

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A alimentação das aves é relativamente simples, baseada principalmente em pastagem disponível na área e ração adequada. Também não são comuns tratamentos veterinários complexos, o que ajuda a diminuir as despesas ao longo dos anos.

Segundo informações da administração do complexo, a estrutura foi adaptada para garantir o bem-estar dos animais. Entre as instalações disponíveis está um açude destinado ao uso diário do bando, que permanece circulando livremente pela área monitorada.

Líder do grupo ajuda a manter a vigilância

Os gansos trabalham sempre em conjunto, mas existe um integrante que se destaca dos demais. Conhecido pelo apelido de “Piu”, ele lidera o grupo e é apontado como o mais arisco entre todas as aves que atuam na unidade prisional.

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Quando identifica qualquer situação incomum, o líder desencadeia a reação dos demais animais. Em poucos segundos, todo o bando passa a vocalizar intensamente e demonstra comportamento defensivo diante de possíveis invasores.

Essa resposta coletiva funciona como uma barreira adicional para dificultar tentativas de aproximação não autorizada. Embora os ataques normalmente não provoquem ferimentos graves, bicadas e fortes batidas de asas costumam ser suficientes para afastar intrusos.

Estratégia funciona junto com a tecnologia

A Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa destaca que os gansos não substituem os equipamentos modernos utilizados na unidade. Na prática, eles desempenham uma função complementar dentro de um sistema de segurança mais amplo.

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O complexo conta com monitoramento eletrônico permanente, realizado durante as 24 horas do dia. Dessa forma, o comportamento das aves soma uma camada extra de proteção ao trabalho desenvolvido por câmeras, sensores e equipes de vigilância.

Especialistas do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina também apontam que o forte instinto territorial da espécie favorece esse tipo de aplicação. Assim, a combinação entre tecnologia e comportamento animal segue reforçando a segurança do presídio.