Árvore de gasolina: a espécie invasora que está potencializando incêndios devastadores pelo mundo

Apelidada de árvore de gasolina, espécie é valorizada comercialmente, mas potencializa incêndios pelo mundo

árvore de gasolina

Tronco da árvore de gasolina/Foto: Reprodução/Public Domain Pictures/Lynn Greyling

Com o calor extremo no hemisfério norte, cientistas e ativistas acendem o alerta para incêndios florestais. Usada comercialmente, alguns territórios têm grandes áreas de uma espécie apelidada de árvore de gasolina. Ela também é uma velha conhecida do Brasil.

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O eucalipto é uma espécie importada da Austrália, é altamente lucrativo e transformou-se no pesadelo dos bombeiros. Ele ganhou o trágico apelido de árvore de gasolina.

O avanço desenfreado dessas florestas artificiais está mudando radicalmente o comportamento do fogo e desafiando autoridades do Chile à Europa.

O perigo oculto por trás das plantações de eucalipto

O eucalipto, por si só, não é responsável por iniciar as chamas, mas atua como um potencializador devastador. As folhas dessa espécie contêm óleos essenciais altamente inflamáveis. Além disso, a sua casca solta-se facilmente e funciona como o pavio perfeito.

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Em condições climáticas extremas de vento e seca, pedaços de casca em chamas desprendem-se do tronco e voam por quilômetros de distância. Esse fenômeno gera novos focos de incêndio muito além da linha de combate principal, cercando comunidades e inviabilizando rotas de fuga.

Por que a espécie invasora domina o cenário global?

A planta nativa da Austrália, além de ser valorizada pelas indústrias de celulose e madeira, cresce relativamente rápido, comparado com outras árvores. Os carvalhos, por exemplo, precisam de 80 anos para amadurecer enquanto a árvore necessita apenas de 15 anos.

É também por esse fato que, quando há incêndios florestais e queimadas, a espécie consegue se recompor muito mais rapidamente. Esse ciclo de autorreforço faz com que a espécie invasora ganhe terreno a cada nova tragédia, redesenhando cartões-postais históricos.

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Tragédias repetidas e o alerta que vem de Portugal

O Chile sofreu com incêndios devastadores, relacionados às plantações de eucaliptos, em 2017 e 2023. O Havaí e a Califórnia também registraram perdas catastróficas ligadas à presença da planta.

O caso mais emblemático na Europa ocorre na Península Ibérica. Em Portugal, os grandes incêndios de 2017, que vitimaram dezenas de pessoas presas em seus carros enquanto tentavam escapar, servem como um lembrete urgente de que os limites da segurança biológica foram ultrapassados.

A reação das comunidades: as Brigadas Anti-Eucalipto

Cansados de esperar por respostas governamentais eficazes, moradores de regiões afetadas decidiram agir por conta própria. Na Galícia, o grupo voluntário Brigadas Anti-Eucalipto começou com apenas 50 pessoas e hoje mobiliza mais de 1.500 integrantes dedicados a erradicar os focos ilegais da planta.

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O objetivo dessas comunidades é substituir a árvore de gasolina por florestas nativas resilientes, criando cinturões verdes de proteção que ajudem a frear o avanço do fogo no futuro.

A comunidade científica defende que há espaço para a indústria de celulose, mas exige regras muito mais rígidas de zoneamento ecológico. O equilíbrio entre o ganho financeiro imediato e a preservação da vida tornou-se a discussão mais urgente do setor florestal.