Egito Antigo: navio de 2 mil anos reaparece e expõe luxo dos faraós

Usado entre os séculos I a.C. e I d.C., o thalamegoi servia a festas e cerimônias e era considerado um "palácio sobre as águas"

Navio data da era da famosa Cleopatra

Navio data da era da famosa Cleopatra | Daderot / Wikimedia Commons

Durante escavações subaquáticas no antigo porto de Alexandria, arqueólogos localizaram um thalamegoi, embarcação cerimonial ligada à elite do Egito antigo, usada em festas, recepções e procissões espirituais.

O navio estava a cerca de oito metros de profundidade e, mesmo assim, manteve partes importantes do casco. A preservação surpreendeu porque a madeira resistiu e revelou a dimensão do trecho que sobreviveu ao tempo.

Registros históricos indicam que os thalamegoi circularam entre os séculos I a.C. e I d.C. Nesse intervalo, a nobreza transformava o deslocamento em espetáculo, com convidados, música e um “palácio sobre as águas”.

O que era o thalamegoi

O thalamegoi funcionava como palco flutuante para celebrações. Em vez de servir a tarefas de carga ou guerra, ele recebia convidados e acomodava eventos oficiais, com pavilhões voltados a banquetes e encontros prolongados.

O projeto priorizava estabilidade em águas rasas. O fundo achatado facilitava a navegação em regiões pouco profundas e permitia montar estruturas no convés, embora limitasse o uso em rotas longas ou mais exigentes.

A operação no porto antigo de Alexandria

O Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática organizou as operações no porto antigo e conduziu a investigação que levou ao achado. A equipe trabalhou em uma área que concentra ruínas e vestígios importantes de Alexandria.

Esse tipo de embarcação costumava ter cerca de 35 metros de comprimento. No exemplar encontrado, aproximadamente 28 metros permaneceram preservados, um recorte raro para entender a forma, o porte e a montagem do barco.

Marcas em grego antigo no casco

No casco, os especialistas identificaram caracteres usados no grego antigo. A interpretação mais provável é que eram instruções de montagem, marcando peças e orientando o encaixe da estrutura durante a construção da embarcação.

A madeira também se manteve em bom estado, o que ajuda a observar detalhes do método construtivo. Assim, o achado não mostra apenas o tamanho do navio, mas também pistas práticas do seu “manual” de montagem.

Festas, música e possível uso religioso

A configuração do thalamegoi favorecia festas e banquetes. Estrabão descreve embarcações desse tipo cheias de pessoas tocando música e dançando, reforçando a ideia de um espaço criado para grandes festejos à beira d’água.

Franck Goddio, arqueólogo francês que coordenou a escavação, associa o exemplar a um possível uso religioso. A hipótese acrescenta outra camada ao papel cerimonial do barco, além do entretenimento oferecido à nobreza.

Cleópatra, Júlio César e o Templo de Ísis

Um thalamegoi desse tipo teria recebido o líder militar romano Júlio César durante sua visita ao Egito, em 47 a.C. O episódio mostra como a embarcação podia servir a encontros simbólicos, diplomáticos e de alto prestígio.

Como o navio surgiu perto das ruínas do Templo de Ísis, deusa egípcia da fertilidade, a interpretação é que ele participasse de rituais e homenagens. O contexto reforça o valor cultural do achado no porto de Alexandria.

Com o resgate desse thalamegoi, a cidade devolve um recorte de luxo e devoção do mundo antigo, unindo engenharia, festa e religião em uma única embarcação que atravessou séculos submersa antes de ser localizada.

Você coloca prego no feijão para aumentar o ferro? Veja por que isso pode ser perigoso e não ajudar

A ideia do prego no feijão mistura crença popular e ciência pela metade, mas carece de mais embasamento

Prática já foi muito comum nas casas brasileiras antes dos anos 2000

Prática já foi muito comum nas casas brasileiras antes dos anos 2000 | Freepik

Colocar prego no feijão para “aumentar o ferro” é um costume antigo, mas não resolve anemia e não garante mais ferro absorvido. Entenda por que a ideia falha e o que ajuda de verdade no prato.

O feijão é um alimento importante, só que o ferro dele, e de outras fontes vegetais, varia na absorção. E o ferro que sai de um metal comum não vira, automaticamente, nutriente útil para o organismo.

O resultado costuma ser frustração, ou pior, porque ninguém controla o material do prego, a higiene e a quantidade que pode migrar para a comida.

De onde veio o truque do prego

A explicação mais comum é simples: se o prego tem ferro, ele “passaria” ferro para o caldo. A associação ganhou força em tempos em que a anemia era tratada no improviso, sem exames ou orientação clara.

Há também uma confusão com outra prática, esta sim mais conhecida: cozinhar em panela de ferro pode aumentar o teor de ferro do preparo, como lembram orientações de saúde e nutrição.

O problema é que prego não é utensílio culinário. Ele pode ter liga metálica, revestimentos e sujeira de armazenamento. Isso já muda totalmente a conversa.

Por que o ferro do prego não resolve

Um trabalho acadêmico que analisou esse tipo de crença popular concluiu que colocar prego, enferrujado ou não, no cozimento não é apropriado para tratar anemia e pode trazer risco por falta de segurança do material.

Mesmo quando há liberação de algum ferro, não hpá evidências de quanto foi para o alimento, nem se aquilo será aproveitado pelo corpo.

Diretrizes brasileiras para anemia por deficiência de ferro reforçam outro ponto: só ajustar a alimentação não costuma bastar para tratar quem já tem anemia diagnosticada. O caminho envolve avaliação e conduta correta.

Feijão tem ferro, mas a absorção depende do prato

O feijão já entra nessa história por um motivo real: ele tem ferro e faz parte da base alimentar de muita gente. A questão é que o organismo absorve melhor o ferro de origem animal do que o ferro de origem vegetal.

Isso não significa abandonar o feijão. Significa montar a refeição com estratégia, porque alguns alimentos ajudam a absorver o ferro e outros atrapalham.

Na prática, combinar feijão com fontes de vitamina C pode favorecer o aproveitamento. Por outro lado, chás ricos em compostos que “prendem” o ferro podem reduzir a absorção quando entram junto da refeição.

Uma forma simples de entender o papel do feijão é olhar a comparação com outros grãos. A diferença entre feijão e lentilha no prato ajuda a perceber como pequenas trocas mudam nutrientes e rotina.

Jeitos seguros de aumentar o ferro no dia a dia

Se a meta é melhorar a ingestão, dá para fazer ajustes sem atalhos perigosos. A lógica é priorizar boas fontes, pensar na combinação e respeitar sinais do corpo.

Este checklist funciona bem para o cotidiano e evita promessas fáceis:

  • Inclua fontes de ferro heme quando fizer sentido para você, como carnes, aves ou peixes, porque a absorção costuma ser maior.
  • Mantenha leguminosas no cardápio, como feijão, lentilha e grão-de-bico, e some uma fruta cítrica ou salada com vitamina C na mesma refeição.
  • Evite tomar chá preto, mate ou café junto do almoço e do jantar se você está tentando melhorar o ferro do prato.
  • Se usa suplemento, siga a orientação do profissional e não misture por conta própria com alimentos que reduzam a absorção.

Para quem quer um guia prático com esse raciocínio, a Gazeta reuniu orientações em maneiras de aumentar o ferro sem suplementos, com exemplos de fontes e combinações.