Desde os anos 2000, a coleta seletiva de materiais recicláveis passou a ser uma política pública da cidade de São Paulo. Porém, ainda nos dias de hoje, poucos tipos de plástico conseguem ser devidamente reciclados na capital paulista. Conheça os fatores que dificultam a reciclagem do material.
Segundo o Movimento Recicla Sampa, das concessionárias de coleta de resíduos em parceria com a prefeitura de São Paulo, alguns fatores definem se um plástico é reciclável ou não. São eles: a composição química, a infraestrutura de coleta e a demanda de mercado da região onde ele é descartado.
Composição química
O triângulo feito com três setas e um número no meio, nas embalagens de plástico, indicam a partir de qual polímero o produto foi fabricado, e não se o produto é reciclável. Os plásticos com a composição química de maior reciclabilidade, normalmente, são:
- 1) Polietileno tereftalato (PET), utilizado em garrafas de refrigerantes;
- 2) Polietileno de alta densidade (PEAD), usado em baldes, engradados de bebidas;
- 5) Polipropileno (PP), aplicado nos potes de margarina.
Apesar de materiais do tipo possuírem alta reciclabilidade, é preciso que eles estejam minimamente higienizados e que o descarte e coleta sejam feitos de forma correta.
Quimicamente, os plásticos mais difíceis de reciclar, segundo o Movimento Recicla Sampa, são:
- 3) Cloreto de polivinila (PVC), usado para fazer canos, couro sintético, fraldas de bebês;
- 4) Polietileno de baixa densidade (PEBD), aplicado na fabricação de sacos de lixo, sacos para embalar alimentos;
- 6) Poliestireno (PS), utilizado nos copos e talheres descartáveis;
- 7) Outros tipos de plásticos como o acrílico e o nylon.
Indústria da reciclagem
Mesmo os plásticos que têm uma alta reciclabilidade, como as garrafas PET, podem ser rejeitados pela indústria da reciclagem por pequenos detalhes, como a cor do material. No YouTube, a presidente da Cooperativa Viva Bem, explica que, para que a indústria faça a reciclagem, é necessário toneladas de plástico das mesmas cores e tonalidades.
Na cidade de São Paulo, segundo o Movimento Recicla Sampa, somente as garrafas PET incolores, verdes e azuis têm alta reciclabilidade. As demais são descartadas normalmente.
As embalagens que misturam diferentes tipos de plásticos, como o PET misto usado em caixinhas de fruta, também quase não são reciclados na capital paulista. Isso porque eles têm um baixo valor de mercado e polímeros que não conseguem ser separados.
Outro tipo de material que também é feito em plástico misto são os tubos de pasta de dente. Eles também não são recicláveis, porém a tampinha é e deve ser separada e doada para iniciativas que as coletem.
Todos os tipos de embalagens metalizadas são, na maioria das vezes, feitos de plástico misto. Logo, os pacotes de salgadinhos, bolachas, biscoitos, café, sachês, não são recicláveis.
Coleta separada
Mesmo quando um material é quimicamente e economicamente reciclável, ele precisa estar separado do lixo orgânico na hora da coleta. Restos de comida nas embalagens contribuem para a proliferação de bactérias e atrai ratos e baratas.
O Movimento Recicla Sampa ressalta também a questão social: receber e separar materiais sujos pode ser prejudicial para quem trabalha com a reciclagem. Assim, caso a embalagem esteja armazenando alimentos, é preciso lavá-la antes do descarte. Recipiente de óleos, detergentes e outros produtos químicos não devem ser lavados já que poluem a água.






