Inteligência Artificial revela estrutura gigante que estava oculta desde grande terremoto no Alasca

Cientistas usam inteligência artificial para desvendar o que causou o maior terremoto da América do Norte em 150 anos

Cientistas usam Inteligência Artificial e descobrem estrutura tectônica oculta sob o gelo após grande terremoto no Alasca. (Foto: U.S. Army/Wikimedia Commons)

Cientistas usam Inteligência Artificial e descobrem estrutura tectônica oculta sob o gelo após grande terremoto no Alasca. (Foto: U.S. Army/Wikimedia Commons)

Um dos terremotos mais devastadores da história da América do Norte acaba de ganhar um novo capítulo. Cientistas utilizaram Inteligência Artificial (IA) para olhar sob o gelo do Alasca e descobriram uma estrutura gigantesca oculta no subsolo.

Continua após a publicidade

O achado foi publicado na revista científica The Seismic Record. Ele traz novas informações sobre o impacto, sentido a mais de 2.000 quilômetros de distância. Além disso, muda o que a ciência entendia sobre os desastres naturais locais.

O dia em que a América do Norte viveu o seu maior teto de estresse

A história começou a mudar exatamente às 13h12 do dia 3 de novembro de 2002, no Alasca. Em poucos segundos, um abalo sísmico de magnitude 7,9 quebrou o silêncio do pacífico estado americano.

A energia liberada foi tão absurda que cruzou fronteiras e criou ondas violentas no Lago Union, em Seattle. Essa distância equivale a mais de 2.300 quilômetros do epicentro do tremor.

Continua após a publicidade

Em Seattle, a força da água arrancou pelo menos 20 casas flutuantes de suas amarras. Cais inteiros foram destruídos, revelando a escala do fenômeno.

O mapa da Inteligência Artificial

Décadas após o evento, uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade Nacional da Austrália decidiu revisitar os dados históricos.

Em vez dos métodos tradicionais, os cientistas aplicaram algoritmos avançados de aprendizado de máquina para analisar os sinais sísmicos.

Continua após a publicidade

O resultado foi surpreendente. Em vez de dados confusos, a inteligência artificial revelou uma linha perfeitamente nítida de 250 quilômetros. Ela fica localizada abaixo da Cordilheira do Alasca.

Essa linha é composta por milhares de pequenos tremores ocultos. Ela revela o limite exato da Placa de Yakutat, uma crosta oceânica ultra-espessa. Essa estrutura está sendo esmagada sob a Placa Norte-Americana.

A colisão tripla que ameaça o continente

Esse mapeamento detalhado trouxe uma revelação preocupante. A Placa de Yakutat avança muito mais para o interior do continente, sob a Falha de Denali. Isso superou todas as previsões dos especialistas.

Continua após a publicidade

A região é uma zona de perigo extremo moldada por três forças gigantescas. A Placa de Yakutat pressiona vinda do sul. Na superfície, a Placa Norte-Americana resiste, enquanto a Placa do Pacífico cria uma fricção lateral contínua.

O encontro desse trio tectônico forma uma das interseções mais complexas e perigosas do planeta. Esse choque foi o gatilho exato para o megaterremoto de 2002.

O mistério dos vulcões do Alasca solucionado

Além de explicar o passado, o estudo desvendou um enigma sobre os vulcões locais. O Alasca abriga campos vulcânicos jovens que intrigavam a ciência devido à sua localização e atividade recente.

Continua após a publicidade

Agora, sabe-se que o movimento agressivo da Placa de Yakutat alterou a pressão no subsolo profundo. Esse fenômeno esmaga e empurra o magma quente para cima. O movimento ocorre através de uma estrutura chamada “cunha de manto”. O processo alimenta os vulcões da região há cerca de um milhão de anos.