Durante a infância, a diferença quase não chama atenção: meninos e meninas dividem brinquedos, brincadeiras e responsabilidades semelhantes.
Mas basta a adolescência se aproximar para que uma pergunta passe a surgir, muitas vezes de forma silenciosa e outras de maneira escancarada.
As meninas amadurecem mais cedo ou os meninos simplesmente não enfrentam a mesma cobrança?
A impressão de que elas crescem mais rápido
É comum ouvir que meninas são mais responsáveis, mais maduras emocionalmente e mais conscientes desde cedo.
Parte dessa percepção tem base biológica: em média, elas entram na puberdade antes, desenvolvem linguagem mais cedo e demonstram maior capacidade de autorregulação emocional na infância.
Isso, porém, explica apenas uma parte da história. A outra parte está longe de ser natural: ela é social.
A maturidade que nasce da exigência
Desde muito novas, meninas aprendem a se vigiar. São orientadas a sentar “direito”, a falar com cuidado, a ajudar nas tarefas domésticas e a entender o impacto de suas atitudes.
Há uma expectativa constante de comportamento exemplar. Se erram, o julgamento costuma ser mais duro.
Já os meninos, muitas vezes, crescem sob o guarda-chuva da tolerância.
“É coisa de menino”, “vai amadurecer com o tempo” e “menino é assim mesmo” são frases que funcionam quase como salvo-conduto. A eles, o erro é permitido, já para às meninas, a correção é imediata.
Emoções permitidas, emoções reprimidas
Outro ponto importante está na forma como sentimentos são tratados.
Meninas são incentivadas a falar sobre emoções, mas também aprendem a controlá-las para não parecerem exageradas.
Meninos, por outro lado, muitas vezes não são ensinados a lidar com emoções profundas, apenas a escondê-las, o que ajuda a explicar por que um terço dos jovens de 11 a 17 anos busca ajuda emocional na internet.
Amadurecer cedo é vantagem?
Nem sempre. O que chamamos de maturidade precoce pode ser, na verdade, responsabilidade antecipada.
Meninas aprendem cedo a se preocupar com o outro, com a imagem, com o futuro.
Meninos, muitas vezes, só entram nesse processo mais tarde, quando a vida começa a cobrar, algo que também aparece em estudos sobre por que os jovens são rebeldes segundo a ciência.



