Após plantar 66 bilhões de árvores contra a desertificação, China descobre comportamento inédito em florestas

Atitude diminuiu as tempestades de poeira, além de ter melhorado a qualidade do ar nas grandes cidades.

China plantou mais de 66 milhões de árvores para parar desertificação

China plantou mais de 66 milhões de árvores para parar desertificação / Reprodução / Foto: Mikhail Nilov / Pexels

A China é, de fato, um país amplamente conhecido pela rápida capacidade de construir e montar qualquer coisa possível.

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Com enormes arranha-céus erguidos em tempo recorde, cidades inteiras montadas da noite para o dia, há quase meio século é marcado um evento gigante: plantar árvores em largas escalas.

Contra a desertificação

Desde 1978, foram plantadas cerca de 66 milhões de árvores como parte da “Grande Muralha Verde”, uma barreira vegetal feita para conter os avanços dos desertos de Gobi e Taclamacã. Com o objetivo de impedir com que a areia continuasse engolindo o norte do país, região em que o deserto chegava a avançar mais de 2.600 quilômetros quadrados por ano.

Segundo o site de notívias Live Sccience, a China planeja plantar mais 34 milhões de árvores até o meio do século XXI, transformando a paisagem que já se desmachou desde o fim dos anos 1970.

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A revista Nature diz que a cobertura florestal das regiões afetadas passou de 5% em 1978 para 14% em 2023. A atitude diminuiu as tempestades de poeira, além de ter melhorado a qualidade do ar nas grandes cidades.

Efetividade da plantação

Em pesquisa publicada pela revista Geophysiscal Research Letters, as florestas plantadas apresentam resposta ao aumento de CO₂, de forma diferente às florestas naturais. Essa mudança se traduz em um crescimento mais rápido de cobertura de folhas, mas os pesquisadores ainda não decifraram os mecanismos que explicam esse fenômeno.

Para essa descoberta, a equipe liderada pelo especialista em ecologia da paisagem, Yuhang Luo, da Universidade de Pequim em Shenzhen, analisou satélites do índice de área foliar, uma medida da densidade da folhagem relacionada à capacidade das florestas de capturar carbono. A apresentação dos 9resultados mostraram que o indicador aumentou 66% mais rápido nas florestas planejadas, do que nas naturais.

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Não é apenas uma questão de idade

A vantagem percebida nas novas plantações é parcialmente explicado pelo tempo de vida delas. Sendo muito mais jovens e ainda estarem atravessando uma fase de crescimento muito mais acelerado.

Porém, a idade apenas não explica o fenômeno em questão. Quando comparadas a florestas naturais e mais velhas, elas ainda crescem 4,6% mais rápido.

Outra explicação está na forma como essas plantações são administradas. Além de serem compostas por espécies de rápido crescimento, como eucaliptos e álamos, elas recebem um manejo florestal mais intensivo, favorecendo a absorção de luz, água e nutrientes que ampliam a resposta das árvores ao aumento de dióxido de carbono na atmosfera.

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Mas não dura para sempre

Como tudo o que é bom, uma hora acaba, o projeto tem um prazo dee validade de 30 a 40 anos, que é o tempo em que as árvores atingem seu pico e depois começam a diminuir.

Já as florestas naturais mantêm um desenvolvimento mais lento, porém constante, proporcionando vantagem no armazenamento de carbono a longo prazo, segundo as conclusões do mesmo estudo. Luo ainda afirma que os resultados apresentaram uma limitação de modelos climáticos atuais, que não diferenciam as florestas plantadas e naturais.