Seca nas Cataratas do Iguaçu revela o perigo real de jogar moedas na água

Operação de limpeza no leito do Rio Iguaçu encontrou mais de 400 quilos de moedas sob as Cataratas do Iguaçu

Além de plásticos e lixo eletrônico, e acendeu o alerta para o impacto ambiental de práticas turísticas aparentemente inofensivas.

Além de plásticos e lixo eletrônico, e acendeu o alerta para o impacto ambiental de práticas turísticas aparentemente inofensivas. | Daniel Villaça/Gazeta de S. Paulo

Uma limpeza recente no leito do Rio Iguaçu revelou mais de 400 quilos de moedas acumuladas sob as Cataratas do Iguaçu, além de garrafas plásticas, baterias e lixo eletrônico, expondo os riscos ambientais de um ritual comum entre turistas.

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A operação foi possível graças a uma queda histórica na vazão do rio, que reduziu a passagem de água para cerca de 500 mil litros por segundo, bem abaixo da média de 1,5 milhão de litros.

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Com o nível mais baixo, equipes do Parque Nacional do Iguaçu e trabalhadores da área de conservação conseguiram acessar pontos que normalmente ficam encobertos pela correnteza.

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O que parecia ser apenas uma curiosidade virou um alerta: a prática de jogar moedas na água, ainda que proibida, já deixou marcas visíveis em um dos cartões-postais mais famosos da América do Sul.

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Ações de conscientização buscam coibir práticas prejudiciais em um dos principais cartões-postais do país. Foto: Daniel Villaça/Gazeta de S. Paulo

Moedas, plásticos e lixo eletrônico: um problema escondido no fundo do rio

Durante a inspeção, os funcionários não encontraram só moedas. Também foram retiradas garrafas de plástico, tampas, baterias e aparelhos eletrônicos, todos lançados pelos visitantes ao longo do tempo.

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Autoridades ambientais explicam que esse tipo de resíduo tem efeitos diretos sobre o ecossistema local, que abriga espécies de peixes, plantas e outros organismos típicos da região.

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Em áreas turísticas muito movimentadas, a quantidade de lixo acumulado cresce ano a ano, mesmo com ações regulares de limpeza e fiscalização.

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Esse cenário reforça alertas semelhantes aos de reportagens como estudo revela previsão assustadora sobre o desaparecimento do oxigênio na Terra, que destacam como pequenos hábitos humanos se somam e afetam o equilíbrio ambiental em larga escala.

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O ritual de jogar moedas e o impacto invisível

A grande quantidade de moedas encontrada foi atribuída a um costume antigo entre turistas: jogar dinheiro na água como ritual de boa sorte ou para fazer pedidos, mesmo em áreas onde essa prática é proibida.

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Apesar da proibição, milhares de visitantes repetem o gesto todos os anos, muitas vezes sem imaginar as consequências da atitude para o ambiente.

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Grande parte do material recolhido pelas equipes de limpeza já apresentava sinais avançados de corrosão. Foto: Daniel Villaça/Gazeta de S. Paulo

Com o tempo, as moedas permanecem submersas e começam a se deteriorar em contato com a água e a umidade do local.

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Esse processo leva à liberação de substâncias metálicas, que podem alterar a composição da água e afetar diretamente a fauna aquática, em especial peixes que vivem próximos ao fundo do rio.

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“As moedas podem enferrujar, contaminar a água e ser ingeridas por animais”

Um dos trabalhadores envolvidos na limpeza explicou os riscos em entrevista ao jornal argentino La Voz. Ele relatou que muitas pessoas ainda associam o lançamento de moedas a um gesto romântico ou de superstição.

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“Infelizmente, as pessoas vêm aqui e, em vez de apreciar a paisagem, acabam acreditando que, se jogarem uma moeda e fizerem um pedido, ele se realizará”, disse o funcionário.

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Em seguida, ele alertou para as consequências: “Isso causa um impacto ambiental bastante sério, porque as moedas podem enferrujar, contaminar a água e algum animal pode ingeri-las pensando que são comida”.

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O relato reforça a preocupação de especialistas que veem em pequenos gestos uma engrenagem importante do quadro mais amplo da crise ambiental, tema também tratado em conteúdos como estudo revela como placas oceânicas podem se fragmentar lentamente.

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O acúmulo de detritos no fundo do rio ameaça o equilíbrio biológico do Patrimônio Mundial Natural. Foto: Daniel Villaça/Gazeta de S. Paulo

Consequências para um patrimônio natural mundial

As Cataratas do Iguaçu são reconhecidas como Patrimônio Mundial e recebem milhões de turistas por ano, o que amplia o desafio de conciliar visitação e preservação.

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Quando moedas, plásticos e outros resíduos se acumulam no leito do rio, o impacto não se limita ao aspecto visual do local.

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Metais e microplásticos podem entrar na cadeia alimentar, prejudicar espécies locais e alterar o equilíbrio de um ecossistema sensível, que depende de água limpa para se manter saudável.

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O que será feito com as moedas retiradas do rio

Depois da coleta, as moedas passaram por um processo de triagem para avaliar se alguma poderia ser reaproveitada ou reciclada, embora grande parte já apresentasse sinais avançados de corrosão.

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A empresa que administra a área informou que o objetivo é descartar o material de forma adequada, respeitando regras ambientais e de saneamento.

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Práticas de turismo responsável são fundamentais para garantir a sustentabilidade e o futuro das Cataratas do Iguaçu. Foto: Daniel Villaça/Gazeta de S. Paulo

O episódio também reacendeu a discussão sobre o papel das campanhas educativas dentro do parque e nas cidades próximas às cataratas.

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Autoridades defendem que placas, materiais informativos e orientação direta aos turistas sejam reforçados para coibir práticas que, embora pareçam inofensivas, causam efeitos acumulados em um dos principais cartões-postais naturais do país.

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Como o turista pode reduzir seu impacto nas Cataratas do Iguaçu

Para quem visita as cataratas, algumas atitudes simples ajudam a preservar o local e evitar danos ao ambiente.

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Entre as principais recomendações estão respeitar regras do parque, não jogar objetos na água e descartar o lixo sempre em lixeiras adequadas.

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Também é importante seguir orientações de guias e funcionários, que conhecem as áreas mais sensíveis e apontam condutas adequadas em trilhas e mirantes.