Conheça o significado e entenda como surgiu a sigla MMDC, na Revolução de 1932

Pela cidade de São Paulo, existem ruas, estabelecimentos, monumentos que levam o nome de MMDC. Entenda seu surgimento durante a Revolução de 32

MMDC

Homenagem ao MMDC/Foto: Reprodução/Alesp

Pela cidade de São Paulo, existem ruas, estabelecimentos, monumentos que levam o nome de MMDC. Mas afinal, qual é o significado da sigla MMDC? Onde ela surgiu? Entenda nesta matéria.

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O que significa a sigla MMDC?

MMDC são as iniciais do sobrenome de quatro manifestantes paulistas: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Eles morreram em um confronto que aconteceu na noite do dia 23 de maio de 1932.

Desde 2011, Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade têm os nomes inscritos no Livro dos Heróis da Pátria.

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O que acontecia em maio de 1932?

Em 1930, Getúlio Vargas assumiu a Presidência do Brasil com o uso de armas e, desde então, nomeava interventores, para o estado de São Paulo, que não agradavam os paulistas. Era contra o governo Vargas que vários paulistas protestavam em 22 de maio de 1932, conforme a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Na época, estava sendo escolhido um novo secretariado para o interventor estadual e Vargas enviou o ministro da Justiça para garantir que seus interesses seriam atendidos na escolha. Com isso, integrantes do exército e do que era a polícia da época aderiram às manifestações contra a intromissão de Vargas.

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No fim, os secretários nomeados não foram escolhidos por Getúlio e, no dia 23 de maio, os paulistas foram às ruas comemorar essa vitória. Segundo testemunhas ouvidas em inquérito policial da época, durante um comício, foi decidido que os manifestantes fossem até a sede da Legião Revolucionária, ligada ao governo Vargas, e a empastelasse, ou seja, a atacasse a título de protesto. Diversos jornais favoráveis a Getúlio estavam sendo incendiados na capital.

A sede ficava na esquina da rua Barão de Itapetininga com a Praça da República. Com a mera proximidade dos manifestantes, pessoas de dentro da Legião Revolucionária atiraram neles, da janela.

O exame de corpo de delito, disponível no museu do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), mostrou que Euclydes Bueno Miragaia, de 21 anos, morreu por uma hemorragia interna e externa causada por ferimento no pulmão esquerdo. Segundo o documento, o rapaz foi atingido por uma bala no peito esquerdo.

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Antônio Américo de Camargo Andrade, de 32 anos, foi atingido por duas balas, uma na nuca e outra na face. Mário Martins de Almeida, de 31 anos, tinha mais de 5 ferimentos de balas pelo corpo, conforme o exame.

Dráusio Marcondes de Souza tinha apenas 14 anos na época e chegou a prestar declarações ao inquérito policial, antes de morrer em 28 de maio.

MMDC como organização

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Depois da morte dos manifestantes, a sigla MMDC foi criada em menção aos mártires da causa Constitucionalista, segundo a Faculdade de Direito da USP. Uma organização civil contra a ditadura de Getúlio também adotou a sigla como nome.

A organização recrutava voluntários, oferecia treinamento militar e arrecadava fundos para a guerrilha contra o governo. Em 9 de julho de 1932, o MMDC tinha o controle total de tropas da polícia militar da época e de algumas tropas federais.

Eles ocuparam o prédio da Faculdade de Direito da USP e, de lá, saiu o primeiro contingente armado da Revolução de 32. O grupo era composto por civis e integrantes das tropas.

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Obelisco do Ibirapuera

Atualmente, os restos mortais dos manifestantes MMDC estão sepultados no mausoléu do Obelisco do Ibirapuera. O local ainda abriga os corpos de outros 713 combatentes mortos.

Os nomes de Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade estão inscritos abaixo da estátua, em mármore, do Soldado Desconhecido. Ela ocupa o centro da base do obelisco. Seus corpos estão sob a estrutura.