Durante quase três séculos, o silêncio tomou conta de um trecho importante da Mata Atlântica. Agora, um antigo morador voltou a ecoar pela floresta e já desperta a atenção de cientistas, ambientalistas e moradores.
O reaparecimento do bugio-ruivo na Ilha de Santa Catarina representa mais do que a volta de uma espécie desaparecida. Os primeiros resultados mostram que o animal já ajuda a recuperar a floresta e reacende a esperança pela conservação.
Embora o projeto ainda esteja no início, os pesquisadores observam mudanças importantes. Os primatas voltaram a ocupar áreas onde não eram vistos há cerca de 260 anos e já desempenham funções essenciais para o equilíbrio ambiental.
Retorno histórico surpreende pesquisadores
O bugio-ruivo desapareceu da Ilha de Santa Catarina ainda no período colonial. A reintrodução começou em 4 de julho de 2024 e marcou um dos projetos mais importantes de recuperação da fauna no estado.
A ação é coordenada pelo projeto Silvestres SC, liderado pelo Instituto Fauna Brasil. Cinco famílias foram soltas no Parque Estadual do Rio Vermelho e na Lagoa do Peri, em Florianópolis.
Desde então, cada deslocamento dos animais é acompanhado por especialistas. O monitoramento permite avaliar a adaptação dos bugios e orientar as próximas etapas da recuperação da população.
População cresce aos poucos
Hoje, cerca de 14 bugios vivem em liberdade na ilha. Eles estão distribuídos em cinco grupos, sendo três no Norte e dois no Sul, ocupando áreas que ficaram décadas sem a presença da espécie.
Duas mortes foram registradas desde o início da reintrodução. Apesar disso, os pesquisadores avaliam que o projeto segue dentro do esperado e que os animais conseguiram se adaptar ao ambiente.
Até o momento, ainda não houve nascimento de filhotes. Mesmo assim, a expectativa é ampliar a população ainda neste ano com a soltura de outros quatro bugios que passam por avaliação.
“Estamos aguardando a autorização para receber novos bugios e realizar outras solturas”, afirma a bióloga Vanessa Kanaan, integrante do projeto Silvestres SC, ao NSC Total.
Floresta também comemora
Os benefícios do retorno dos bugios já aparecem na própria Mata Atlântica. Pesquisadores encontraram sementes transportadas pelos animais em áreas distantes dos pontos onde ocorreram as solturas.
Esse trabalho acontece de forma natural. Ao se alimentarem de frutos e circularem pela floresta, os primatas espalham sementes que dão origem a novas árvores e fortalecem a vegetação nativa.
Por isso, o bugio-ruivo é considerado uma peça importante para a manutenção da biodiversidade. A presença da espécie acelera processos naturais que ajudam a manter a floresta saudável.
Símbolo de uma nova esperança
Além da função ecológica, o bugio também aproxima a sociedade da conservação ambiental. O animal desperta curiosidade e incentiva moradores a participar de atividades de monitoramento e educação ambiental.
Por ser uma espécie carismática, o primata se tornou um verdadeiro embaixador da Mata Atlântica. Assim, contribui para ampliar o interesse pela proteção das florestas e da fauna brasileira.
Outro sinal positivo surgiu em abril de 2025, quando um bugio-ruivo foi visto em Jaraguá do Sul após anos sem registros na área urbana.
Apesar disso, Vanessa Kanaan explica que esse avistamento não pode ser associado ao projeto de Florianópolis, que acompanha apenas os animais reintroduzidos na capital.






