Virado à paulista, bife à rolê: Entenda como surgiu e conheça a tradição do prato do dia em São Paulo

Relacionar dias da semana com pratos não é uma ideia exclusiva de São Paulo e tem relação com a colonização

prato do dia

Em São Paulo, para cada dia da semana se serve um prato específico/Foto: Reprodução/Flickr/Mark Hillary

Na capital, qualquer paulistano que almoce na rua durante o expediente de trabalho sabe qual é o prato do dia da grande maioria dos restaurantes. A ideia de relacionar dias da semana com alimentos não é exclusiva de São Paulo e está relacionada com a colonização do país. Saiba quais são os pratos para cada dia da semana e como surgiu essa tradição.

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O cardápio de prato do dia na capital paulista é:

  • Segunda-feira: virado à paulista;
  • Terça-feira: bife à rolê;
  • Quarta-feira: feijoada;
  • Quinta-feira: massas;
  • Sexta-feira: peixes;
  • Sábado: feijoada

De onde surgiu o prato do dia em São Paulo

Tipos de proteínas, preparos de pratos ou até mesmo um cardápio fixo para cada dia da semana não são exclusivos da cidade de São Paulo. A tradição remete à colonização portuguesa e católica do país.

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Em Portugal, há o costume de comer cozidos nas quintas e domingos. As sextas também são reservadas para os peixes.

Ainda assim, segundo o Guia Michelin, o costume do menu fixo para os dias da semana só ganhou forças com o processo de industrialização do Brasil no século XX. Na capital paulista, os trabalhadores não conseguiam voltar para almoçar em casa e, para os estabelecimentos, um prato definido para cada dia facilitava a operação.

Virado à paulista

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Composto por arroz, tutu de feijão, bisteca suína, ovo frito, couve refogada, linguiça, torresmo e banana à milanesa, o prato foi considerado patrimônio cultural imaterial do estado de São Paulo. A origem do virado à paulista é mais antiga que a tradição do prato do dia.

Os bandeirantes do Brasil colônia já se alimentavam com feijão, farinha e carne seca durante as expedições. Com o movimento da viagem, a comida acabava ‘revirada’. Acredita-se que o nome “virado” tenha surgido a partir disso.

Segundo o Guia Michelin, os bandeirantes saíam de São Paulo rumo a Minas Gerais e levavam o prato. Lá, ele se tornou o tutu à mineira.

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Peixes às sextas

O pescado fixo na sexta-feira está relacionado com a Igreja Católica. Pelo Código de Direito Canônico, todas as sextas-feiras do ano, com exceção das comemorativas, são para a penitência. Deixar de comer carne vermelha nesse dia da semana é considerado pela Igreja uma forma de praticar o ato.

O costume católico pode ter influenciado a escolha do peixe para as sextas-feiras no prato do dia paulista.

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Feijoada em dobro

Em São Paulo, dois dias da semana são reservados para a feijoada: quartas e sábado. O prato, por si só, é uma adaptação brasileira dos cozidos europeus trazidos pelos colonizadores.

Na capital, é possível escolher pela versão light, em que o feijão preto é acompanhado por cortes nobres e magros da carne suína, como lombo, costela, paio, linguiça. Ainda há a versão completa, também chamada de gorda, com pé, rabo e orelha de porco.