O Nevado Coropuna impõe respeito na paisagem do sul do Peru com o vulcão Coropuna e seus imponentes 6.425 metros de altitude.
Localizado a cerca de 150 km da cidade de Arequipa, este complexo vulcânico não detém apenas o título de vulcão mais alto do país, mas também carrega uma mística profunda que remonta aos tempos do Império Inca.
A Montanha Dourada e o legado dos Incas
A palavra Coropuna tem origem no quechua e significa “montanha dourada”. Os antigos habitantes escolheram esse nome porque o vulcão brilhava como ouro durante suas erupções.
Para os Incas, o Coropuna representava o Apu mais sagrado do reino, funcionando como um oráculo em que acreditavam que as almas dos mortos habitavam as geleiras eternas.
Arqueólogos encontraram evidências de rituais e oferendas de reciprocidade no local, o que confirma a importância do vulcão como um centro ritual do Tawantinsuyu.
Além do valor espiritual, a montanha desempenha um papel vital hoje: sua calota glacial de 44,1 km² garante o abastecimento de água para mais de 90 mil pessoas que vivem da agricultura e pecuária na região.
O desafio físico da ascensão do vulcão Coropuna
A conquista do cume exige preparação e resistência. Recentemente, a expedição “Vulcões de Arequipa” finalizou sua temporada no Coropuna com 100% de sucesso entre seus participantes.
A jornada dura cerca de quatro dias, partindo de Arequipa e passando pela pacata cidade de Chuquibamba antes de atingir o acampamento base a 5.370 metros.
O ataque ao cume geralmente começa à meia-noite para aproveitar as condições do gelo. Os montanhistas enfrentam um frio severo, em que a água costuma congelar dentro das mochilas e o vento cortante exige movimento constante para manter o calor corporal.
Após 10 horas de esforço hercúleo, os escaladores finalmente atingem o topo, de onde podem avistar a imensidão branca dos Andes.
Também no Peru, outro ponto que chama a atenção é um hotel de vidro, que fica pendurado em um desfiladeiro a 400 metros.
Uma homenagem nas alturas
Para a comunidade do montanhismo brasileiro, o Coropuna ganhou um significado solene em 2024.
A última expedição de sucesso dedicou sua conquista à memória de Marcelo Delvaux, um dos montanhistas mais experientes do Brasil, que morreu no vulcão após cair em uma greta enquanto tentava abrir uma nova rota solo.
Estar no topo do Coropuna serve agora como uma forma de honrar o legado dos exploradores que amam a solitude das grandes altitudes.
Dicas para aventureiros
Se você planeja explorar o Coropuna, considere as seguintes informações essenciais:
- Melhor época: entre abril e junho, durante a estação seca, quando o Sol brilha de dia e as noites são frias e estáveis.
- Dificuldade: a escalada possui dificuldade moderada para pessoas aclimatadas e saudáveis, mas requer equipamentos técnicos como grampos, cordas e bastões.
- Aclimatização: especialistas recomendam subir antes vulcões como o Misti ou o Chanchani para preparar o corpo para a altitude extrema do Coropuna.
A cidade mais próxima para ficar hospedado é Chuquibamba, situada a aproximadamente 3.000 metros de altitude.
Consequentemente, o Coropuna permanece como um destino que une a superação física ao contato com a história viva do Peru, mantendo-se como um gigante que protege tanto a água quanto as tradições andinas.
Como chegar
A maneira mais rápida de chegar até o local partindo de São Paulo é pegando um voo do Aeroporto de Guarulhos para o Aeroporto Internacional Rodríguez Ballón (AQP), em Arequipa. Não há voos diretos, com a viagem fazendo uma escala longa ou conexão na cidade de Lima.
O tempo total de viagem varia de 10 a 12 horas no total, considerando a escala.







