Ferrovia centenária de 47 km que liga três cidades de SP poderá ser administrada pela CPTM após nova lei

Medida envolve a Estrada de Ferro Campos do Jordão, que liga cidades do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira; projeto de concessão prevê R$ 403,5 milhões em investimentos

Estrada de Ferro Campos do Jordão poderá ter administração transferida à CPTM após sanção de lei estadual nesta sexta-feira (16/10) - Divulgação/Estrada de Ferro Campos do Jordão

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou uma lei que autoriza a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) a assumir a Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), ferrovia centenária que liga Pindamonhangaba a Campos do Jordão, no interior paulista.

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A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (16/10) e permite que a companhia passe a responder pela administração, patrimônio, contratos e atividades da ferrovia, que possui aproximadamente 47 quilômetros de extensão.

A Lei Estadual nº 18.498 também autoriza o Governo paulista a assumir dívidas da estrada de ferro e estabelece regras para os funcionários que atualmente integram o quadro permanente da EFCJ.

A mudança ocorre enquanto o Estado mantém um projeto de concessão do complexo ferroviário à iniciativa privada. A proposta prevê um contrato de 24 anos, mas a licitação foi suspensa em junho deste ano.

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O que muda com a nova lei

A legislação autoriza a transferência de bens, direitos patrimoniais e responsabilidades administrativas da Estrada de Ferro Campos do Jordão para a CPTM.

Com isso, a companhia poderá assumir atividades públicas atualmente exercidas pela ferrovia, além de contratos, processos licitatórios e recursos orçamentários relacionados à operação.

O texto também permite que o Tesouro estadual fique responsável pelo pagamento de débitos da EFCJ.

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As atribuições poderão permanecer com a CPTM até que sejam transferidas a outros órgãos estaduais ou incluídas em um processo de concessão, conforme regulamentação posterior.

A nova legislação também preserva as autorizações de uso de imóveis e outros atos de gestão patrimonial formalizados anteriormente pela Estrada de Ferro Campos do Jordão.

A CPTM poderá renovar, prorrogar, fiscalizar ou rescindir essas autorizações, conforme as regras legais. As competências também poderão ser transferidas a outros órgãos estaduais por decreto.

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A transferência das atribuições ainda dependerá de regulamentação. A lei não estabelece um prazo para a conclusão desse processo nem determina a retomada imediata dos serviços turísticos da ferrovia.

Funcionários terão direitos preservados

A lei também estabelece mudanças administrativas para os trabalhadores permanentes da Estrada de Ferro Campos do Jordão.

Os empregados serão incluídos em um quadro especial em extinção, vinculado à Secretaria dos Transportes Metropolitanos, com preservação das denominações dos empregos, atribuições e remunerações.

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Os postos deixarão de existir à medida que ficarem vagos, conforme as regras previstas na legislação.

A norma também prevê a possibilidade de transferência dos vínculos de trabalho para outros órgãos ou entidades estaduais, quando necessária à continuidade das atividades.

Outra mudança estabelece jornada de 40 horas semanais para os empregos públicos permanentes abrangidos pela legislação.

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Em relação ao Prêmio de Incentivo à Produtividade, os pagamentos continuarão inicialmente vinculados ao fundo especial da ferrovia, com possibilidade de custeio pelo Tesouro estadual.

Concessão da ferrovia prevê contrato de 24 anos

A reorganização administrativa acontece em meio ao planejamento de concessão do Complexo Turístico Ferroviário da Estrada de Ferro Campos do Jordão.

Em janeiro de 2026, o Governo estadual autorizou a abertura de uma licitação internacional para transferir à iniciativa privada a exploração econômica e parte das responsabilidades de recuperação e conservação do complexo.

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O projeto prevê um contrato de 24 anos, com intervenções para modernização dos trens, recuperação das estações, melhorias nas instalações ferroviárias e revitalização de aproximadamente 40% da infraestrutura existente.

A concessão também abrange estruturas turísticas ligadas à ferrovia, incluindo o Parque Reino das Águas Claras, em Pindamonhangaba.

Entretanto, a Secretaria de Parcerias em Investimentos suspendeu a licitação em 8 de junho, antes do recebimento das propostas.

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A nova legislação permite reorganizar a administração da ferrovia, mas não representa a retomada automática do processo de concessão.

Ferrovia centenária atravessa a Serra da Mantiqueira

Inaugurada em 1914, a Estrada de Ferro Campos do Jordão possui aproximadamente 47 quilômetros de extensão e passa pelos municípios de Pindamonhangaba, Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão.

A ferrovia foi construída inicialmente para facilitar o acesso à região serrana, que recebia pacientes em busca de tratamento de doenças respiratórias, especialmente tuberculose.

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Com o desenvolvimento do turismo em Campos do Jordão, o trajeto também passou a integrar as opções de lazer da região.

Ao longo dos anos, a estrada de ferro ofereceu diferentes serviços turísticos, incluindo viagens em trechos urbanos de Campos do Jordão e deslocamentos em direção a Santo Antônio do Pinhal.

A infraestrutura reúne trens históricos, trechos eletrificados e um percurso de serra.

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A recuperação das instalações e a definição do modelo de exploração turística fazem parte do planejamento estadual para o futuro da ferrovia.

A eventual retomada ou ampliação dos serviços dependerá das condições da infraestrutura, das obras necessárias e das decisões administrativas sobre a operação.