Um estudo de requalificação do Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, prevê transferir parte do tráfego da avenida Brigadeiro Faria Lima para um túnel. A proposta também inclui um terminal subterrâneo com integração entre ônibus, automóveis e metrô.
Com os veículos circulando no subsolo, a ideia é liberar espaço na superfície para criar uma área pública contínua, conectando os dois lados da Faria Lima. O projeto prevê novas praças, arborização, ciclovias e espaços para pedestres.
Apesar da proposta, a construção do túnel ainda não está definida. O material está em fase de estudos e depende, entre outros fatores, de análises do solo.
A primeira etapa dos trabalhos deve ser concluída em 16 de outubro de 2026, com análise da SP Urbanismo prevista para 26 de outubro.
Os detalhes foram apresentados em reunião do Conselho Participativo Municipal de Pinheiros, realizada em 3 de setembro. A ata do encontro foi publicada no Diário Oficial do Município em 15 de setembro.
Como será o túnel da Faria Lima
A proposta prevê o rebaixamento do tráfego da Faria Lima na região do Largo da Batata. Com a circulação de veículos transferida para o subsolo, o projeto pretende diminuir a divisão provocada pela avenida e integrar as áreas atualmente separadas pelo sistema viário.
O diagnóstico apresentado aponta que mais da metade do espaço do Largo da Batata é ocupado por automóveis.
O estudo também identifica problemas relacionados ao calor, falta de sombra, alagamentos e baixa quantidade de áreas permeáveis.
Atualmente, apenas 12% da área analisada é permeável, segundo o diagnóstico.
Na superfície, o conceito prevê a criação de praças conectadas, entre elas a Praça das Águas, a Praça das Árvores e a Praça do Mercado. Também está prevista uma estrutura chamada de “disco central”, que concentraria serviços e conexões.
Terminal subterrâneo com integrações
Outra parte do projeto é a criação de um terminal intermodal subterrâneo na área central do Largo da Batata. A estrutura seria planejada para integrar ônibus, metrô e automóveis.
Nesta etapa, porém, o estudo ainda não estabelece quantas linhas de ônibus seriam atendidas, o número de plataformas ou a capacidade de passageiros. Esses detalhes deverão ser definidos conforme o projeto avance.
A proposta também prevê a manutenção e ampliação das ciclovias, com o traçado contornando a área da praça. Ruas compartilhadas também poderiam ser implantadas nas proximidades, ampliando o espaço destinado a pedestres.
Túnel depende de estudos do solo
A construção subterrânea ainda depende de seis pontos de sondagem, que estão sendo utilizados para identificar as características do solo e auxiliar na definição das fundações.
Além das análises geotécnicas, os responsáveis pelo estudo trabalham em simulações do trânsito com as mudanças propostas, levantamentos arqueológicos e patrimoniais e estudos de viabilidade arquitetônica e paisagística.
A própria documentação apresentada ao conselho trata o túnel como uma premissa do projeto, e não como uma solução já definida.
Aumento da área permeável
O conceito urbanístico apresentado prevê aumentar de 12% para 66% a área permeável do Largo da Batata.
Também estão previstos 322 novos plantios de árvores, preferência por espécies nativas, sistemas de microdrenagem e enterramento de redes de infraestrutura para permitir maior arborização.
A documentação, porém, apresenta números diferentes sobre a quantidade de árvores existentes na região. Por isso, os dados ainda são considerados preliminares e podem ser alterados durante o avanço dos estudos.
Contaminação e risco de alagamento
Os levantamentos realizados até agora também identificaram áreas com contaminação do solo já conhecidas pelos órgãos públicos, incluindo uma área relacionada a um posto de combustível.
Parte desses locais está em tratamento e outros ainda passam por investigação. O estudo prevê acompanhamento ambiental durante uma eventual obra, principalmente nas áreas de escavação do túnel.
Também foram identificados pontos sujeitos a inundação no perímetro analisado. A proposta deverá ser compatibilizada com projetos de macrodrenagem já desenvolvidos pela Prefeitura.
Bens tombados
O projeto também precisa considerar o patrimônio histórico da região. Quatro bens tombados foram identificados no perímetro analisado.
Entre eles estão a Igreja de Monte Serrat, localizada na área diretamente afetada pela intervenção, e o Mercado de Pinheiros, que fica mais distante dos locais previstos para escavação.
Também foram identificadas ocorrências arqueológicas, o que pode exigir acompanhamento especializado durante eventual movimentação de terra.
Projeto ainda não tem obra contratada
Os estudos são realizados pelo Instituto Idea, selecionado após um chamamento público. A ordem de serviço foi emitida em janeiro de 2026.
Segundo a SP Urbanismo, esta etapa dos estudos não utiliza recursos da Prefeitura. O trabalho começou a partir de uma proposta da sociedade civil e de um acordo de cooperação.
Uma eventual obra, porém, poderá utilizar recursos da Operação Urbana Consorciada Faria Lima. A intervenção já está entre os projetos que podem receber financiamento da operação.
A primeira fase dos estudos deve ser concluída em outubro. Depois, está prevista uma segunda etapa, que deverá incluir estudo preliminar, anteprojeto e projeto básico, além dos documentos necessários para os licenciamentos.
O projeto executivo não está incluído na contratação atual. Portanto, ainda não há uma previsão de início de obras nem confirmação de que o túnel será efetivamente construído.
A Prefeitura também prevê ampliar a participação da população nas próximas etapas, incluindo trabalhadores de aplicativos, idosos, pessoas com deficiência e população em situação de rua.
