O trem que promete conectar São Paulo a Campinas em apenas 64 minutos está prestes a iniciar suas obras, segundo o presidente da TIC Trens, Pedro Moro, em entrevista exclusiva à Gazeta.
A concessionária responsável pela implementação do Trem Intercidades (TIC), o famoso “expresso”, garante que vai cumprir o cronograma e dar início aos trabalhos ainda no primeiro semestre de 2026.
A locomotiva sobre trilhos que poderá chegar a 140 km/h tem previsão de conclusão em 2031. Enquanto o Intermetropolitano (TIM), alternativa que ligará Jundiaí a Campinas, que começa juntamente com o TIC, deve estar pronto para operar em 2029.
Prazo apertado
Segundo Pedro Moro, o cronograma é apertado, mas as obras seguem o prazo inicial de entrega.
“Hoje o nosso cronograma está bem justo, mas está dentro do esperado para cumprir todas as etapas necessárias daqui até o final das obras, que é em 2031”, afirma.
No início do projeto, as primeiras intervenções foram feitas entre Jundiaí e Campinas, trecho que abrange tanto o TIC quanto o TIM. De acordo com o presidente, são áreas menos complexas com baixa circulação de carga.
“Então a gente começa esse ano, agora no primeiro semestre, as obras entre Jundiaí no trecho entre Jundiaí e Campinas, e começa por lá por ser um trecho com baixíssima utilização de carga, então o trecho de hoje é fácil de entrar e começar a mexer em remoção de interferência, fazer drenagem, fazer tudo”, comenta.
Licença ambiental e desapropriações
Para que as obras iniciem efetivamente, alguns entraves ainda devem ser resolvidos. A desapropriação de terrenos entre Jundiaí e Campinas, que avançou com a publicação do segundo lote de áreas no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (24/2), era um deles.
Por ser a passagem específica do Intermetropolitano, esse projeto ficará pronto antes do Expresso Campinas-São Paulo – que terá como estação final a Água Branca.
O segundo é a licitação ambiental que precisa ser liberada para o projeto, que, segundo Pedro Moro, deve sair entre março e abril.
“A gente começa já nesse primeiro semestre. Estamos com os projetos praticamente finalizados, parte deles já aprovados pelo Estado para poder começar a obra, aguardando basicamente a emissão de licença ambiental, prevista agora também para entre os meses de março e abril para ser emitida, para a gente começar a obra efetivamente nesse trecho”, afirma.
Trem de carga e Linha 7-Rubi
Para o serviço funcionar, a concessionária terá que construir uma via exclusiva para o trem expresso e outra para os trens de carga da MRS.
Essa mudança afetará diretamente a atual Linha 7-Rubi. Será necessário “remanejar” os trilhos antigos para abrir espaço para os novos trens.
O maior desafio será realizar essa engenharia complexa sem interromper a circulação dos passageiros que já utilizam a linha diariamente.
Sobre essa logística, Pedro Moro explica que essas são uma série de intervenções complexas a serem feitas.
“Então, são uma série de intervenções que são super complexas e para poder fazer tudo isso, às vezes a gente vai ter que pegar as vias existentes da Linha 7-Rubi, passar ela para cá, para poder caber a via do trem expresso, às vezes empurrar um pouquinho para lá para caber a via de carga, tudo isso com a linha 7 operando. Então, juntar tudo isso em um cronograma de 5 anos de obra é extremamente ousado”, finaliza o presidente da concessionária.


