No balanço mais recente dos repasses consolidados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o governo federal destinou R$ 984,8 milhões para a compra de espaço publicitário na televisão aberta.
Os números mostram que o mercado publicitário nacional opera sob forte centralização de investimentos, a fatia abocanhada pelos três conglomerados: TV Globo, Record e SBT é de cerca de R$ 889,6 milhões juntas, o que representa aproximadamente 90% de todo o orçamento.
O topo do ranking e a redistribuição de forças entre as redes
A TV Globo lidera o ranking de faturamento de forma isolada no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A emissora carioca captou R$ 517,6 milhões, montante superior à soma de todos os seus concorrentes diretos no painel do Sistema de Comunicação de Governo (Sicom).
A justificativa da pasta de comunicação defende que os repasses seguem critérios técnicos rigorosos de audiência média e cobertura domiciliar, o que teoricamente barateia o custo por impacto de cada campanha de utilidade pública veiculada.
Abaixo do topo, a Record consolidou sua vice-liderança na preferência técnica da Secom, registrando um recebimento de R$ 228,9 milhões no período acumulado. O SBT aparece na terceira posição da tabela oficial, com R$ 143,1 milhões em contratos executados para a transmissão de informativos dos ministérios e avisos institucionais da administração federal direta.
O desempenho do segundo escalão e das emissoras paulistas
Abaixo do bloco hegemônico das três maiores redes, o orçamento publicitário da União cai de patamar de forma acentuada, explicitando o abismo que separa os líderes das demais concessões de televisão. A Band assegurou o quarto lugar no volume de verbas estatais, captando R$ 69,9 milhões, seguida de longe pela RedeTV!, que fechou o balanço geral com R$ 16,9 milhões em inserções comerciais efetuadas junto aos cofres federais.
O relatório de transparência pública traz ainda a performance financeira de canais com forte apelo cultural e regional na Grande São Paulo. A TV Cultura, gerida pela Fundação Padre Anchieta, obteve R$ 5,3 milhões em verbas da publicidade oficial de Brasília.
Já a TV Gazeta, tradicional emissora da Fundação Cásper Líbero voltada ao público paulistano, computou R$ 1,5 milhão em cotas de propaganda estatal, fechando o grupo dos sete canais abertos que centralizam o monitoramento de mídia técnica executado pelo governo federal.
Credibilidade de massa barra a pulverização digital
A expressiva alocação de recursos no ecossistema da televisão aberta, mesmo diante do crescimento contínuo do consumo de redes sociais e plataformas de streaming, sinaliza uma opção estratégica da equipe de comunicação do Executivo.
A Secom prioriza o alcance imediato e homogêneo que o rádio e a TV ainda detêm nos lares brasileiros. Na visão de planejadores de mídia, o veículo tradicional funciona como uma espécie de selo de credibilidade institucional, essencial para o sucesso de mensagens sensíveis, como campanhas nacionais de vacinação e alertas de saúde pública.



