Salles diz que vazamento de óleo mostra ‘fragilidade’ do país para cuidar do litoral

Segundo o ministro, o Ministério da Defesa e a Marinha poderiam ter respondido melhor ao surgimento das manchas de óleo se estivessem mais preparados Por Folhapress De São Paulo

Em entrevista à Jovem Pan nesta sexta-feira (1º), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admitiu que o governo não estava preparado para lidar com uma crise ambiental como o vazamento de óleo que atinge o Nordeste desde o fim de agosto.

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“A primeira constatação dessa história é uma lição que a gente vai tomar. O Brasil gastou fortunas em coisa que não servia para nada. […] Tomar conta de fato do nosso litoral, e isso custa caro, não se fez. Então, a primeira constatação é que esse episódio mostra a nossa fragilidade nesse sentido”, disse.

Para Salles, os governos anteriores ao de Jair Bolsonaro (PSL) não fizeram bons investimentos na Marinha. De acordo com o ministro, o Ministério da Defesa e a Marinha poderiam ter respondido melhor ao surgimento das manchas de óleo se estivessem mais preparados.

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Salles diz que parte do dinheiro que for arrecadado na cessão onerosa do petróleo, marcada para acontecer neste mês, deve ser utilizado para reequipar a Marinha.

“Por que deu o problema? Porque não sabemos por que esse óleo foi ao mar. A resposta da Marinha e da Defesa poderia ter sido melhor, agora vamos reequipar o órgão.”

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Após ter usado vídeos editados e imagem antiga fora de contexto para criticar o Greenpeace, o ministro voltou a sugerir que a ONG não ajudou na limpeza das praias no Nordeste.

Questionado sobre se há diálogo com o Greenpeace, Salles respondeu que não e disse que a ONG faz alarmismo para conseguir doações.

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“Não há relação. Temos boa relação com entidades ambientalistas parceiras que apresentam proposta, a exemplo dos voluntários. Quando é uma crítica construtiva há respeitabilidade. Quando é crítica pela crítica, não podemos aceitar. Em todos os lugares que fui na Europa tinha um grupo do Greenpeace protestando, falando mal do Brasil.”

O ministro ainda afirmou que a quantidade de óleo que chega ao litoral está diminuindo, assim como os pontos de onde o material toca a costa.

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Sobre o destino do material, Salles se diz favorável a incineração pela indústria do cimento porque seria um uso útil. “A alternativa onde não há indústria do cimento são aterros próprios para material de origem química. Na minha visão, isso é pior do que incinerar.”

Além disso, o ministro criticou reportagem da Folha que revelou que o MMA (Ministério do Meio Ambiente) não convocou especialistas de áreas do Ibama que poderiam contribuir com respostas ao vazamento de óleo no Nordeste. Para Salles, a reportagem não poderia ser contestada porque não cita os nomes dos técnicos ouvidos. “Essas versões são sempre o jornalista que escreve. Quando eles apresentarem a fonte a gente pode contestar”, disse.

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Os nomes dos técnicos do Ibama ouvidos pela reportagem foram omitidos para que não corressem o risco de sofrer represálias.