Bolsonaro ataca repórteres e jornalistas se retiram de entrevista

O presidente incentivou apoiadores a hostilizar repórteres em frente ao Palácio da Alvorada

Bolsonaro ficou surpreso com a reação dos jornalistas e os questionou. "Vai embora? Vai abandonar o povo? A imprensa que não gosta do povo", disse o presidente

Bolsonaro ficou surpreso com a reação dos jornalistas e os questionou. "Vai embora? Vai abandonar o povo? A imprensa que não gosta do povo", disse o presidente | /Isac Nóbrega/PR

Após Jair Bolsonaro mandar repórteres ficarem quietos e estimular apoiadores a hostiliza-los durante uma entrevista no Palácio da Alvorada, os profissionais que estavam no local se retiraram.

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O presidente tinha sido questionado sobre recentes declarações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendendo o isolamento social. No começo, o presidente chegou a responder à pergunta. “Eu não sei o que ele falou. Eu parto do princípio que eu tenho que ver, não só ler o que está escrito”.

Entretanto, um apoiador o interrompeu e começou a hostilizar os jornalistas. O presidente pediu para que o apoiador, que se identificou como “professor opressor”, respondesse à pergunta.

“É ele que vai falar, não é vocês não”, disse, mandando os repórteres ficarem quietos. Segundos depois, jornalistas que estavam no local se retiraram.

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Bolsonaro ficou surpreso com a reação dos jornalistas e os questionou. “Vai embora? Vai abandonar o povo? A imprensa que não gosta do povo”, afirmou o presidente.

ATAQUES DE BOLSONARO.

Desde sua candidatura à presidência, Bolsonaro se mostra insatisfeito com a imprensa. Durante a pandemia do novo coronavírus, o presidente tem atacado veículos diariamente.

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Na segunda-feira, após ser criticado por especialistas ao quebrar o isolamento social defendido pela OMS e pelo Ministério da Saúde, o presidente disse que iria falar sem aceitar perguntas.

No Palácio da Alvorada, os jornalistas ficam em uma área cercada por grades, perto de apoiadores do presidente.

Em um curto período, seguindo as recomendações de isolamento social e quarentena, poucos apoiadores apareceram por lá. Entretanto, após declarações de Bolsonaro rotulando o coronavírus como “gripezinha”, os apoiadores voltaram a ir o local diariamente.