Fósseis em museus revelam novo ‘T. rex dos mares’: espécie chegava a mais de 13 metros e tinha mandíbula poderosa com dentes serrilhados

Após décadas em museus, fósseis revelaram um mosassauro de até 13,2 metros, com dentes serrilhados e mandíbula poderosa

Durante décadas, um dos maiores predadores do período Cretáceo esteve à vista dentro de museus. Seus ossos ocupavam reservas técnicas e salas de exposição nos Estados Unidos, mas muitos carregavam o nome de outra espécie: Tylosaurus proriger.

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A história começou a mudar quando a paleontóloga Amelia Zietlow examinou um desses fósseis na coleção do Museu Americano de História Natural, em Nova York. Ao comparar o exemplar com materiais guardados por outras instituições, ela e os colegas perceberam que as diferenças se repetiam e formavam o retrato de um animal basicamente sem nome científico.

O princípio, o grupo o batizou de Tylosaurus rex, o “rei dos tilossauros”. O réptil marinho viveu há cerca de 80 milhões de anos, alcançou até 13,2 metros e ocupou o topo da cadeia alimentar em um mar que atravessava a América do Norte. Apesar do apelido, ele não era um dinossauro, mas um mosassauro, grupo de lagartos adaptados à vida oceânica.

Gigante entre coleções

Zietlow e pesquisadores do Museu Perot de Natureza e Ciência e da Southern Methodist University voltaram ao holótipo de T. proriger, exemplar usado para definir a espécie há mais de 150 anos. Depois, mediram mais de uma dúzia de fósseis semelhantes mantidos em instituições do Texas, de Nova York, de Massachusetts, do Kansas e de Connecticut.

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Os animais compartilhavam dentes com serrilhas finas, característica pouco comum entre mosassauros, além de estruturas no crânio associadas a músculos fortes na mandíbula e no pescoço. Também vinham, em sua maioria, de rochas do Texas com cerca de 80 milhões de anos, enquanto boa parte dos T. proriger conhecidos aparece no Kansas e é aproximadamente 4 milhões de anos mais antiga.

A soma dessas pistas sustentou a descrição publicada no Bulletin of the American Museum of Natural History em 21 de maio. No estudo, os autores estimaram comprimentos entre 7,7 e 13,2 metros para os exemplares atribuídos à nova espécie.

Dentes para cortar

O maior deles é “Bunker”, esqueleto descoberto em 1911 e hoje ligado à Universidade do Kansas. Seu comprimento estimado supera o de um ônibus urbano, enquanto o crânio chega a aproximadamente 1,63 metro.

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Além do porte, as bordas serrilhadas dos dentes ajudariam a cortar carne, a anatomia da cabeça oferecia espaço para uma musculatura mais desenvolvida, o que sugere uma mordida poderosa, embora a pesquisa não tenha calculado diretamente a força exercida pelo animal.

Outro fóssil, apelidado de “Black Knight”, perdeu a ponta do focinho e apresenta uma fratura na mandíbula inferior. A equipe interpreta os danos como sinais de um confronto com outro Tylosaurus de tamanho semelhante e, portanto, como evidência de interações violentas entre indivíduos da própria espécie.

Crescimento não explicou fato

Havia uma dúvida central: aqueles gigantes poderiam ser apenas adultos de T. proriger. Para testar essa possibilidade, Zietlow mediu esqueletos de 130 espécies atuais de lagartos e observou quais partes do crânio costumam mudar durante o crescimento.

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O padrão não coincidiu com as diferenças encontradas nos fósseis. Além disso, havia exemplares das duas espécies com tamanhos próximos, mas com conjuntos anatômicos distintos, argumento que afastou a explicação baseada somente na idade dos animais.

O tamanho, isoladamente, exige cautela. Os autores reconhecem que ainda não está claro quanto da diferença entre as amostras reflete a biologia das espécies e quanto pode resultar das condições de preservação dos fósseis.

Parentesco revisto

O trabalho foi além do que catalogar o nome novo. A equipe reuniu medições de mais de 300 mosassauros e mais de 100 lagartos atuais, renovando uma base anatômica usada havia quase três décadas para reconstruir o parentesco desses répteis marinhos.

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Com isso, futuros estudos poderão testar novamente como diferentes linhagens cresceram e ocuparam o topo dos mares do Cretáceo. A descoberta também mostra por que coleções antigas continuam decisivas: A descoberta do Tylosaurus rex não veio de uma escavação recente.

Os fósseis já estavam havia décadas nas coleções dos museus, mas só a comparação entre os exemplares permitiu aos pesquisadores reconhecer a nova espécie.