Em entrevista à TV GMG nesta semana, a multicampeã de fisiculturismo Angela Borges deu detalhes de sua carreira vitoriosa e anunciou uma novidade: ela é a nova colunista da Gazeta, um dos jornais do Gazeta Media Group Brasil (GMG).
Com dezenas de títulos, incluindo três campeonatos mundiais na categoria Wellness, a catarinense radicada em São Paulo utilizará o espaço no jornal para dar visibilidade ao esporte e, especialmente, ao papel das mulheres nesse cenário.
“Quando se fala de fisiculturismo, percebo que os meios de comunicação muitas vezes não dão espaço às mulheres. Eu até entendo, porque o fisiculturismo ainda é um esporte que na maioria é masculino, mas há muitas atletas campeãs que valem a pena ter reconhecimento”, destacou.
Hoje, Angela também é empresária e educadora, e está prestes a inaugurar a academia World Gym na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, ao lado de uma sócia. Também foi uma das presenças mais disputadas do Arnold Sports South America 2026, que ocorreu em abril na Capital.
De ‘magricela’ a multicampeã
Pode não parecer, mas o físico imponente de Angela não é fruto de uma genética privilegiada. Ela descreve sua versão adolescente como uma “menina magricela e feia do interior de Santa Catarina”.
Aos 17 anos, com 1,67 metros de altura e apenas 43 quilos, sua autoestima era extremamente baixa, o que a levava a usar roupas largas para esconder o corpo.
O ponto de virada ocorreu quando conheceu seu atual marido, que a incentivou a entrar na academia. O processo de transformação foi gradual e exigiu paciência: foram 10 anos de treino e dieta rigorosa para sair dos 43 quilos e chegar aos 73 quilos, com muita massa muscular, peso com o qual estreou nas competições aos 27 anos.
Multicampeã visitou redação da TV GMG nesta semana/Yuri Villaça/Gazeta de S.PauloMesmo assim, contou, conviveu muito tempo com uma visão negativa sobre si mesma. “Eu tinha uma visão distorcida da minha imagem: mesmo com 73 quilos de massa muscular, ainda me via como aquela menina magrinha de 43 quilos”.
Atleta 24 horas
Para Angela, o fisiculturismo é o esporte de altao desempenho mais exigente que há, já que o “instrumento” de trabalho é o próprio corpo. “Você é atleta 24 horas por dia”, afirmou, explicando que cada grama de alimento, cada hora de sono e cada copo de água ingerido contam para o resultado final.
“O fisiculturismo não é sobre ser melhor que outra pessoa, é sobre ser melhor que você mesma no passado”, disse.
Essa rotina exige uma força mental extrema. Ela destacou que o maior desafio não é o peso da academia, mas a capacidade de dizer “não” a prazeres momentâneos, como uma fatia de bolo em aniversários de família, em prol de um objetivo maior.
“Eu sempre subi no palco com confiança porque sabia que tinha feito o máximo possível; eu treinei doente e comi quando não queria.”
Quebra de esteriótipos
Angela rebateu as críticas frequentes de que corpos musculosos femininos seriam “masculinos”. Segundo ela, as pessoas que criticam muitas vezes não conseguem manter uma semana de disciplina e buscam diminuir o esforço alheio.
“Muitas vezes é mais fácil você criticar aquilo que você não consegue fazer”, disparou.
Ela ressaltou que, no palco, o que se vê é a celebração da potência máxima do corpo humano, um trabalho de “autoescultura” que deve ser visto com admiração e respeito, sem sexualização.
Empresária e educadora abrirá nova academia em São Paulo/Yuri Villaça/Gazeta de S.PauloSobre a popularização do esporte, a atleta acredita que as redes sociais humanizaram os praticantes, derrubando o antigo estereótipo de que o “marombeiro” era alguém agressivo.
“Quanto mais forte a pessoa é, mais tranquila ela parece ser”, analisou, citando que o ambiente da musculação hoje é focado em autocuidado e inspiração.
“Se tem uma coisa que o ‘marombeiro’ de verdade não faz é julgar o outro, porque ele sabe o quanto o processo é difícil.”
Empreendedorismo e educação
Hoje, além de professora de pós-graduação, ela está prestes a inaugurar a academia World Gym, na Vila Mariana. O novo espaço promete tecnologia de ponta, foco em recuperação física e um atendimento técnico altamente qualificado, com professores pós-graduados.
Com quase 1,5 milhão de seguidores somente pelo Instagram, Angela Borges reforça que sua pretensão atual é a de gerar valor para outras pessoas, incentivando especialmente as mulheres a buscarem o autocuidado e o amor-próprio por meio do esporte.
“Minha missão é ser um canal de informação e incentivo, especialmente para que as mulheres busquem o autocuidado.”
Hoje, também segue indo à academia diariamente. “A massa muscular é emprestada: você não a comprou, você a alugou, e precisa pagar a parcela todo santo dia”.





