Geração Z é a primeira com menos capacidade cognitiva que seus pais; entenda os efeitos das telas na educação

Especialistas associam o uso intenso de laptops, tablets e celulares nas escolas à queda no desempenho cognitivo da geração Z

Após bilhões de dólares investidos em tecnologia educacional, pesquisadores afirmam que o resultado ficou distante do esperado (Foto: Freepik)

Após bilhões de dólares investidos em tecnologia educacional, pesquisadores afirmam que o resultado ficou distante do esperado (Foto: Freepik)

A geração Z, que nasceu cercada por computadores, tablets e celulares, pode estar enfrentando um efeito inesperado. Segundo especialistas, o acesso ilimitado à tecnologia não elevou o aprendizado, como era esperado, e pode ter comprometido habilidades fundamentais.

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Essa é a conclusão apresentada pelo neurocientista Jared Cooney Horvath ao Senado dos Estados Unidos. Ele afirma que a geração Z é a primeira da história moderna a apresentar desempenho inferior ao da geração anterior em testes padronizados.

Embora isso não signifique que os jovens sejam menos inteligentes, os pesquisadores alertam para uma redução em capacidades cognitivas importantes, como concentração, memória, leitura e resolução de problemas. O fenômeno levanta dúvidas sobre o futuro da educação.

Bilhões investidos, mas resultado decepciona

A aposta na tecnologia começou há mais de duas décadas. Em 2002, o estado do Maine distribuiu milhares de laptops para estudantes do ensino fundamental com o objetivo de ampliar o acesso ao conhecimento por meio da internet.

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O projeto serviu de inspiração para diversas iniciativas semelhantes nos Estados Unidos. Em 2024, o país investiu mais de US$ 30 bilhões na compra de laptops e tablets para escolas, consolidando a presença das telas nas salas de aula.

No entanto, segundo a revista Fortune, especialistas afirmam que o resultado ficou abaixo das expectativas. Em vez de fortalecer a aprendizagem, o uso indiscriminado da tecnologia teria criado obstáculos para o desenvolvimento de competências essenciais.

Testes revelam queda no desempenho

Horvath apresentou dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) e de outros exames padronizados. Segundo ele, as notas vêm caindo ao longo da última década em diferentes países.

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Além disso, os levantamentos apontam uma relação consistente entre maior tempo de uso de computadores durante as aulas e desempenho mais baixo em leitura, matemática e outras habilidades avaliadas.

O pesquisador destaca que esses testes não medem inteligência, mas refletem capacidades cognitivas importantes para aprender. Para ele, a queda representa um alerta sobre a forma como a tecnologia foi incorporada ao ensino.

Excesso de telas prejudica a atenção

Segundo Horvath, aprender exige concentração contínua e esforço mental. Entretanto, computadores e celulares favorecem interrupções constantes, tornando mais difícil manter o foco em uma única atividade.

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Pesquisas também mostram que muitos estudantes utilizam os equipamentos para acessar conteúdos sem relação com a aula. Um estudo com cerca de 3 mil universitários identificou que eles desviavam a atenção para outras tarefas durante boa parte do tempo.

O especialista resume essa ideia ao afirmar, em carta aberta ao Senado dos EUA, que “aprender exige esforço, é difícil e, muitas vezes, desconfortável. Mas é justamente esse atrito que torna o aprendizado profundo e capaz de ser aplicado no futuro”. Para ele, a facilidade oferecida pelas telas nem sempre favorece o aprendizado.

Redes sociais ampliam o desafio

A professora de psicologia Jean Twenge, da San Diego State University, afirma que muitas plataformas digitais foram criadas justamente para prender a atenção dos usuários pelo maior tempo possível.

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Segundo ela, aplicativos de redes sociais e jogos utilizam mecanismos que estimulam o retorno constante dos usuários. Isso dificulta manter a atenção prolongada em atividades como leitura, escrita e resolução de exercícios.

Um estudo liderado pela Baylor University reforçou essa preocupação ao indicar que o TikTok exige ainda menos esforço cognitivo do que outras plataformas de vídeos curtos, favorecendo o consumo contínuo de conteúdos.

Especialistas defendem mudanças na educação

Diante desse cenário, Horvath afirma que o problema não está na tecnologia em si, mas na maneira como ela foi utilizada nas escolas. “Este não é um debate sobre rejeitar a tecnologia”, escreveu o pesquisador.

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Ele defende que governos financiem apenas ferramentas digitais cuja eficácia tenha sido comprovada cientificamente. Além disso, sugere limitar a coleta de dados de estudantes e estabelecer critérios mais rigorosos para o uso desses recursos.

Enquanto isso, diversos estados americanos já restringem o uso de celulares durante as aulas. Para os especialistas, equilibrar tecnologia e métodos tradicionais pode ser o caminho para recuperar habilidades que vêm perdendo espaço nas últimas décadas.