Há 25 anos, terceiro Rock in Rio teve boicote de bandas brasileiras, ataque de garrafas, músico pelado no palco e ingressos a R$ 17,50

Tempestades, prisão no palco e boicote nacional transformaram a edição de 2001 no evento mais caótico da história do festival

Rock in Rio 2026 acontece entre os dias 4 e 13 de setembro/ Divulgação/TIM Controle

Após 10 anos de inatividade, o Rock in Rio voltou em 2001 para a terceira edição, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, cercado de expectativa.

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O festival foi marcado para meados do mês de janeiro, em pleno verão carioca, e o clima, com calor intenso e chuvas fortes, transformou a Cidade do Rockmesmo local da primeria edição, em 1985 — em um caldeirão. O cenário serviu de arena para episódios que entraram para a história dos grandes eventos do país.

Ingressos a R$ 17,50

Para começar, o preço do ingresso, mesmo com todas as atualizações de valores possíveis, parece brincadeira: a entrada inteira para um dia custava R$ 35, numa época sem vendas pela internet. A meia, aliás, foi vendida por módicos R$ 17,50 e só podia ser adquirida na sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), no bairro do Catete, com a carteirinha da instituição.

Para se ter uma ideia, o valor do ingresso hoje, corrigido pelo IGP-M na calculadora do Banco Central, seria de R$ 215 — bem longe dos R$ 870 da edição de 2026.

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Boicote de brasileiros

O Rock in Rio 3 não contou com as bandas brasileiras de maior sucesso da época. Tudo por causa de um boicote, motivado pelo que os artistas consideraram um desrespeito da organização, que teria privilegiado as atrações estrangeiras.

De acordo com reportagens da época, as bandas, por contrato, estavam impedidas de realizar a passagem de som. Com isso, bandas como O Rappa, Cidade Negra, Raimundos, Charlie Brown Jr., Skank e Jota Quest decidiram não se apresentar no festival.

Na ocasião, houve reclamações por causa de mudanças e indefinição de horários, dúvidas sobre equipamentos.

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Dez anos depois, em entrevista à Folha de S. Paulo, o vocalista do Skank, Samuel Rosa, classificou o boicote como “uma decisão radical”.

“Foi uma bobagem”, disse o músico.

“Se a gente se organizasse para fazer reivindicações, poderíamos conseguir ter regalias que eram apenas dos gringos. Mas partimos para uma decisão radical”, completou.

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Baixista nu no palco

Com as escalações bem definidas em relação aos estilos musicais e tipos de público, a banda de stoner rock Queens of the Stone Age foi escolhida para se apresentar no dia do rock pesado. Diante de um público formado majoritariamente de fãs do Iron Maiden, o baixista Nick Oliveri surgiu no palco completamente nu. Depois da terceira música, Nick foi obrigado a se vestir, e o Juizado de Menores ameaçou apagar a luz do show, segundo relatos da imprensa na época.

O baixista foi preso, levado para a delegacia e solto na mesma noite. Em tom de ironia, Nick questionou: “As pessoas dançam assim no Carnaval. Por que eu não posso fazer o mesmo?”.

Voltando ao show. Impaciente, o público vaiou o que seria o triunfal ato de encerramento da apresentação: um número em que a banda tocou com um grupo de capoeiristas por mais de 10 minutos. Cenário diferente do encontrado em 2015, quando o QOTSA retornou ao Rock in Rio, dessa vez consagrado, com uma torcida própria presente e sem Nick na formação.

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Carlinhos Brown pede paz, mas leva “bombardeio” de garrafinhas

Em uma das cenas mais marcantes da história dos festivais do Brasil, Carlinhos Brown, escalado para tocar no dia 14, que teve o Guns’n’Roses como atração principal. O baiano, que na década de 1990 havia feito parcerias com o Sepultura, levou para o palco seu tradicional som marcado pela percussão e pegada pop.

O público não curtiu. Ansiosa pelas atrações de rock da noite, entre elas o grupo inglês Oasis, a plateia próxima ao palco recebeu Brown com xingamentos e vaias. O músico não desistiu da apresentação e, aguerrido, levantou uma bandeira com os dizeres “paz no mundo”.

O que era para ser um gesto de pacificação acabou incitando o público, que passou a atirar garrafinhas de água vazias no baiano. Brown tentou enfrentar o protesto, mas desistiu. Anos depois, o baiano classificou o episódio como “cancelamento” motivado por racismo.