‘Senhor dos Anéis’ italiano procura alianças perdidas no mar e devolve tudo aos donos sem cobrar nada

Tiziano Lanfredi começou com o detector de metais há cerca de 20 anos e hoje recebe pedidos de ajuda de banhistas que perderam objetos no litoral

Lanfredi ficou conhecido como o “Senhor dos Anéis” de Gaeta (Foto: Reprodução)

Lanfredi ficou conhecido como o “Senhor dos Anéis” de Gaeta (Foto: Reprodução)

Tiziano Lanfredi já estava dentro do mar em Sant’Agostino, no litoral italiano, quando recebeu uma ligação. Do outro lado da linha, alguém precisava encontrar um objeto perdido justamente naquela região. Ele já estava no lugar certo e com a ferramenta certa.

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A ferramenta era um detector de metais. Lanfredi, de 56 anos, passou tanto tempo procurando alianças desaparecidas nas praias do Golfo de Gaeta que ganhou um apelido inevitável: o “Senhor dos Anéis”.

Só que, em sua história, encontrar o anel encerra a missão. Depois de localizar uma aliança enterrada ou escondida, ele tenta descobrir quem a perdeu. O objetivo não é ficar com o tesouro, mas colocá-lo novamente no dedo de onde saiu.

Praias da Gaeta

Começou como passatempo

Natural da província de Caserta e morador de Scauri desde 2013, Lanfredi trabalha como técnico de instalações para sistemas de lavagem de veículos em Venafro. Fora do expediente, porém, dedica boa parte do tempo livre às buscas com detector.

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O interesse começou cerca de 20 anos atrás. Os primeiros resultados foram frustrantes: segundo ele, não basta caminhar pela praia esperando um sinal. É preciso aprender a regular o equipamento, interpretar as respostas e entender como cada aparelho se comporta.

Com os anos, Lanfredi comprou detectores mais adequados, participou de associações e ganhou experiência. Há pelo menos sete anos, também começou a publicar nas redes sociais fotografias das alianças encontradas, usando o compartilhamento para tentar localizar seus proprietários.

Hoje, a brincadeira virou uma espécie de serviço informal de emergência. Durante o verão, ele estima realizar cerca de dez buscas por temporada. A fama já ultrapassou Gaeta: houve ocasião em que recebeu um chamado para procurar um objeto perdido em Sabaudia.

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Protocolo de resgate

Quando alguém pede ajuda, a primeira pergunta é onde exatamente o objeto desapareceu. Um ponto de referência, a posição na praia ou o trecho do mar podem reduzir drasticamente a área. Para Lanfredi, as primeiras 24 ou 48 horas são decisivas.

Ele afirma que, quando consegue iniciar uma busca nesse intervalo, normalmente tem boas chances de sucesso. Depois disso, ondas, correntes e o próprio movimento da areia podem deslocar o objeto e transformar poucos metros de procura em uma área muito maior e imprevisível.

As condições do mar também determinam quando ele trabalha. Lanfredi prefere os horários mais tranquilos, principalmente no começo do dia. Não realiza mergulhos nem segue para águas profundas, limitando as buscas às áreas em que consegue permanecer em segurança.

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Há ainda outra recomendação. Quem perde uma joia não deve divulgar publicamente o ponto exato. Segundo Lanfredi, há pessoas que percorrem as praias, inclusive à noite, procurando peças de ouro para revender.

A pergunta antes da entrega

Encontrar uma aliança não basta para devolvê-la. Antes da entrega, Lanfredi pede ao suposto proprietário que diga qual inscrição existe na parte interna do anel. Datas, nomes ou outras gravações funcionam como uma confirmação de que aquela pessoa realmente é a dona.

Nem todas as missões envolvem casamentos. Já pediram ajuda para recuperar celulares, chaves de automóveis, óculos, colares e pulseiras. E a experiência de Lanfredi com objetos perdidos vem de antes da fama recente.

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Em 2019, ele encontrou entre Itri e Sperlonga uma placa militar pertencente ao soldado Giuseppe La Rocca. O objeto desencadeou uma investigação que, anos depois, permitiu identificar a família do militar e devolver a peça aos descendentes.

Mesmo assim, são as alianças que produzem as reações mais fortes. Lanfredi conta que já foi abraçado e viu proprietários chorarem após o reencontro. Algumas peças pertencem a pessoas casadas há 30 ou 40 anos e carregam uma história que vale muito mais do que o ouro.