Na era dos aplicativos de namoro, chamar atenção já não depende apenas de boas frases ou posicionamentos alinhados.
Para muitas mulheres brasileiras, o que realmente pesa na hora de se conectar com alguém é a coerência entre o que a pessoa diz e o que ela faz.
O que é ser “performático”?
O termo “performático” se popularizou nas redes para descrever pessoas que “atuam” de acordo com expectativas sociais, em vez de agir com autenticidade.
No contexto dos relacionamentos, isso aparece quando alguém adota discursos prontos, como o de homem desconstruído, sem que isso se reflita em atitudes reais.
Autenticidade acima do discurso
Uma pesquisa recente do aplicativo happn mostra que a autenticidade se tornou um dos principais critérios de interesse entre mulheres no Brasil.
De acordo com o levantamento, 38% das usuárias já identificaram homens que usam discursos feministas ou “desconstruídos” apenas como estratégia de conquista.
Esse tipo de comportamento, muitas vezes chamado de “performático”, gera rejeição: cerca de 74% das mulheres dizem perder o interesse ao perceber incoerência entre fala e atitude.
O que realmente importa
Os dados revelam uma mudança importante nas dinâmicas afetivas. Enquanto discursos prontos perdem força, atitudes simples ganham destaque.
Para 53% das entrevistadas, a principal “green flag” está na naturalidade, ou seja, quando valores e posicionamentos aparecem de forma espontânea, sem precisar ser anunciados.
Na prática, alguns comportamentos se destacam como mais valorizados:
- Escuta ativa e respeito ao consentimento (21%)
- Cuidado no encontro presencial, como atenção à segurança e divisão justa da conta (18%)
- Postura diante de atitudes tóxicas (8%)
Esses fatores mostram que pequenas ações podem dizer mais do que grandes declarações.
Entre discursos prontos e atitudes reais, cada vez mais mulheres estão priorizando coerência, e deixando perfis “perfeitos” para trás (Foto: Pexels)Diferenças entre gerações
A pesquisa também aponta diferenças entre faixas etárias. Entre mulheres da Geração Z, 52% consideram importante que valores progressistas estejam presentes nos perfis.
Ainda assim, esse grupo é o que mais relata experiências com comportamentos performáticos: 32% dizem já ter passado por isso várias vezes.
Já entre mulheres com mais de 35 anos, a abordagem tende a ser mais direta: 46% preferem não misturar política com relacionamentos, priorizando conexão e compatibilidade no dia a dia.
Romance com mais verdade
Segundo Karima Ben Abdelmalek, CEO do happn, os dados indicam que as mulheres brasileiras estão cada vez mais atentas e exigentes.
Para ela, a valorização da sensibilidade continua, mas apenas quando acompanhada de ações concretas.
Na prática, isso aponta para uma mudança no próprio conceito de romance: menos discurso e mais coerência. Em um cenário onde tudo pode ser dito com facilidade, são os gestos, e não as palavras, que fazem a diferença.


