Apesar de números impressionantes, Hamilton ainda enfrenta resistência na Inglaterra

Durante a entrega do prestigiado prêmio de Esportista do Ano da BBC, o piloto inglês perdeu, em eleição popular, para o ciclista Geraint Thomas Por Folhapress

Não é a toa que Lewis Hamilton é apontado como um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1. Afinal, seus números são apenas superados por Michael Schumacher, o grande recordista da categoria. São cinco títulos mundiais, 72 vitórias e 83 poles (o que é um recorde absoluto) em uma carreira de 12 anos. Para completar, há anos ele é o esportista britânico mais bem pago do mundo e hoje figura no top 12 no mundo. Tantas conquistas deveriam torná-lo uma lenda em seu país. Mas não é isso que acontece na Inglaterra.

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Um exemplo dessa resistência aconteceu recentemente, durante a entrega do prestigiado prêmio de Esportista do Ano da BBC. Hamilton, que conquistou o pentacampeonato em seu melhor campeonato da carreira em termos de pilotagem, era um dos indicados, mas perdeu, em eleição popular, para o ciclista Geraint Thomas, que também conseguiu um grande feito: o ciclista venceu o Tour de France.

Ao fazer um discurso no evento, o piloto disse que sua vida tinha sido “uma longa jornada, saindo da favela.” Ele rapidamente retirou o termo, dizendo “não favela exatamente, mas sair de um lugar e fazer algo diferente.” A polêmica, contudo, já estava armada e os moradores de sua cidade natal, Stevenage, exigiram uma retratação, o que o piloto fez por meio de suas mídias sociais.

“Tenho muito orgulho de minhas origens e espero que vocês saibam que eu tento representá-las da melhor forma possível, mas ninguém é perfeito. Eu definitivamente cometo erros e particularmente quando você tem uma plateia na sua frente e está tentando encontrar as palavras certas. Eu escolhi as palavras erradas”, admitiu.

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O deslize gerou uma enxurrada de críticas na imprensa britânica, com jornais como o Independent duvidando que a infância de Hamilton tenha sido tão difícil como ele apregoa, citando o ensino privado que ele teve para terminar o Ensino Médio, algo que, na verdade, foi pago pela McLaren depois que o piloto passou a ser apoiado pelo time, aos 13 anos.

Críticas à maneira como Hamilton se expressa são comuns, especialmente devido a seu sotaque, que os britânicos consideram falso e americanizado.

Mas a grande crítica, que sempre acompanhou o inglês em sua carreira na Fórmula 1, é devido ao fato dele ter residência fixada em Mônaco, e por conta disso não pagar impostos no Reino Unido. “Ele sempre vai dividir opiniões no país por conta disso”, publicou o The Times em artigo sobre o fato do nome do piloto ter sido citado no dossiê Paradise Papers em novembro de 2017 por ter evitado o pagamento de quase R$ 80 milhões em impostos ao usar um esquema da Ilha de Man para abrigar seu jatinho particular. O piloto nunca foi formalmente processado pelo caso.

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Porém, ao mesmo tempo em que recebe duras críticas em seu país, Hamilton também tem um grande número de fãs na Inglaterra. Prova disso é o entusiasmo dos britânicos pela corrida de Silverstone, que tem ficado entre as de maior público nas últimas temporadas. Em 2018, o GP da Grã-Bretanha foi o de maior público na temporada, com 340 mil pessoas presentes nos três dias de evento.