O Coronel Márcio Tadeu, 54 anos, eleito em seu primeiro mandato como deputado federal pelo estado de São Paulo, alcançou 98.373 votos. O deputado recebeu a Gazeta nesta semana em seu gabinete. Filiado ao PSL (Partido Social Liberal) e Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, desde 1984, é formado pela Academia do Barro Branco. Além disso, trabalhou como piloto de helicópteros entre os anos de 2011 a 2017, se tornando o primeiro tripulante a ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados. Coronel Tadeu pretende centrar seu mandato em questões ligadas à segurança e ao combate à corrupção.
Diego Freire – Como avalia seu mandato nesses primeiros meses? É o que esperava?
Coronel Márcio Tadeu – Sim, era o que eu esperava. Trabalhei muito e abracei muitas causas. Vi que um deputado federal pode fazer muito pela população se ele se empenhar e usar todo o seu tempo disponível nas causas que são mais necessárias a população. Só não imaginava que fosse trabalhar tanto: terça, quarta e quinta-feira em Brasília, e os outros dias na base, em São Paulo. Não me dou ao direito de nenhuma folga.
DF – Qual foi a maior decepção? E alegria?
CMT – Eu tive várias alegrias. Entre elas a votação da PEC da Previdência, o projeto de previdência dos militares e a aprovação da PEC 372 em primeiro turno, que cria a polícia penal. A maior decepção dentro do Congresso foi quando tivemos a votação da Lei dos partidos políticos e nós não conseguimos manter todos os itens que eu, em especial, gostaria que fossem mantidos. Por outro lado, gostaria que acabássemos com o fundo partidário, mas, infelizmente, eu fui voto vencido. Uma outra decepção foi com relação a lei do abuso de autoridade. Passaram muitos itens que não deveriam ter passado e vão amarrar a nossa Justiça.
DF – Como faz para manter a relação com a população de São Paulo?
CMT – A minha forma de se comunicar com o meu público é, em especial, as redes sociais. Também consigo isso através da imprensa, com entrevistas no interior de São Paulo e na Capital. Isso faz com que a minha mensagem chegue para muitas pessoas. Mas, o principal mesmo, é o aplicativo WhatsApp. Eu participo de mais de 200 grupos nessa rede social, na maioria de profissionais da área da segurança – policiais militares, civis, agentes penitenciários. Esse é um canal de comunicação muito rápido, que eu utilizo desde 2017 quando comecei a campanha.
DF – Nesses primeiros meses de mandato qual o principal projeto que o senhor apresentou?
CMT – Foram mais de 25 projetos apresentados. Mas eu acredito que o principal deles seja o que cria a Carteira Nacional de Habilitação social, onde o governo deve fornecer a CNH para quem estiver desempregado e precisa renovar o documento para trabalhar, mas não tem condições financeiras. Espero que esse projeto seja aprovado logo.
DF – Do que sente mais falta da sua carreira na Polícia Militar?
CMT – Dos amigos. Por todos os lugares que passei fiz amigos. Aqui, como deputado federal, acabamos nos isolando e mantendo uma distância maior.
DF – Por que decidiu entrar para a política?
CMT – Eu acompanho política desde os 19 anos. Gosto da política e do trabalho político, mas nunca quis ser um político. Recebi o convite de um amigo, o senador Major Olimpio, aceitei e deu certo. Consegui quase 100 mil votos, nem eu imaginava que fosse conseguir tanto assim!
DF – Como avalia o governo de Jair Bolsonaro?
CMT – É um excelente governo. Trabalha muito bem e tem uma equipe muito boa. As principais bandeiras são o combate à corrupção e à impunidade. No combate à corrupção tem conseguido êxito. Já no combate à impunidade, depende-se muito do parlamento e do poder legislativo. Nesse item, ainda não conseguiu cumprir suas promessas.
DF – E o governo Doria?
CMT – O governo Doria é uma das maiores enganações que eu já vi na minha vida. Ele se diz gestor, mas faz mais propaganda do que realmente trabalha. Seus resultados até o presente momento são pífios.
DF – A crise no PSL pode influenciar a aprovação de matérias importantes para o Governo?
CMT – Não, o PSL tem 53 deputados federais mesmo com todas as brigas e desentendimentos que são mostrados na mídia, o PSL sempre votou junto com o governo. É o partido mais fiel ao governo Bolsonaro e vai continuar sendo.
DF – Quem o senhor pretende apoiar na disputa para prefeitura de São Paulo no próximo ano?
CMT – O candidato do PSL, seja ele quem for.
DF – Na sua opinião qual é o principal problema do estado de São Paulo?
CMT – Hoje eu diria que, apesar da redução dos números, ainda é a segurança. Mas, gostaria de destacar também que a educação e o transporte público não vão bem.
DF – Recentemente o governador Doria, em um evento no interior de São Paulo, chamou policiais militares aposentados de vagabundos, o que o senhor tem a dizer dessa atitude?
CMT – É lamentável essa atitude intempestiva do governador do estado de São Paulo. Demonstra claramente que ele não tem preparo para o cargo. Ele não conseguiu suportar uma manifestação pequena, feita por quatro pessoas, e disparou o seu sentimento com relação aos policiais. Porque é isso que ele sente mesmo: ele acha que nós somos vagabundos. Ele só se esquece que a segurança dele, da esposa e dos filhos é feita por policiais. Deveria, no mínimo, ter respeito. Além disso, como governador ele deveria saber valorizar o seu funcionário.
DF – Qual seu maior sonho?
CMT – Meu maior sonho é ver o Brasil crescendo 5% ao ano, com uma economia muito forte e verdadeiramente rico. Porque eu sei que o Brasil tem grandes condições de ser uma Suécia, uma Suíça ou uma Alemanha em termos de desenvolvimento e IDH. Hoje nós só precisamos que os políticos se conscientizassem que o trabalho deles precisa ser feito com muita responsabilidade.
DF – Como avalia a CPMI da Fake News? Como ela pode ajudar a democracia brasileira?
CMT – A criação da CPMI foi um avanço muito grande. Entretanto, se ela for levada com cunho político, não vai chegar a lugar nenhum e só irá servir para aumentar as acusações da esquerda contra a direita e vice versa. Mas, se ela for levada realmente a sério pelos deputados e for feita uma apuração de quem plantou fake news nas redes sociais, irá ajudar a coibir essa prática criminosa que nós vemos todos os dias pela internet.
DF – O Brasil tem jeito?
CMT – Sim, tem jeito. Só esteve em mãos erradas durante os últimos 20 anos. Nós elegemos más pessoas e governantes, que fizeram com que a corrupção se implantasse de uma forma tão endêmica e atrasasse muito o país. Com poucas ações do Governo Bolsonaro já dá para perceber que é possível conter a sangria da corrupção e o Brasil consegue se colocar, pelo menos, entre as cinco maiores potências do mundo.
DF – Em poucas palavras: quem é o Coronel Tadeu?
CMT – Um batalhador. Uma pessoa responsável, de princípios e caráter, com valores que trouxe do berço e da academia militar. Uma pessoa que luta pelo o que é correto, é contra a corrupção, é contra a impunidade e que pensa realmente no futuro do país com muita seriedade.