- Por: Juliana Ribeiro
O mercado editorial enfrentou muitas adversidades para se reequilibrar após a falência das livrarias Saraiva e Cultura.
Ambas eram as principais clientes das editoras no varejo de livros físicos e, com sua quebra, muitas delas tiveram seu faturamento e funcionamento comprometidos. Anos de incertezas acompanharam esta fase.
Desde esse cataclisma comercial, outros formatos de venda de livros vêm surgindo e sendo testados, incluindo as mídias sociais, como o TikTok Shop.
Antes fechadas em seu próprio universo, as editoras tiveram que se reinventar, na marra.
Sem ter como depender exclusivamente do varejo físico e tendo que apostar em outros canais, as editoras experimentam, após a tempestade, um voo de cruzeiro: mais canais de alcance de público garantem maior pluralidade de títulos a serem ofertados. Isso gera maior fluxo de vendas, mais frentes para serem atendidas, mais trabalho, mas mais leitores.
Em conjunto a este fluxo, temos o aumento da abertura de pequenas e médias editoras, como as de autopublicação e POD (Print on Demand / Impressão sob demanda), cada vez mais populares.
É sobre este modelo editorial que vamos falar, que proporcionam a novos autores mais canais de impressão e distribuição para seus conteúdos.
Neste cenário, uma nova forma de editar livros tem ganhado destaque nas editoras de autopublicação: a edição de coautoria.
Livros em coautoria são aqueles que reúnem diversos autores (em média 20, mas até 40 nomes ou mais podem assinar a obra), sendo conhecidos como coletâneas de depoimentos sobre um determinado tema.
Você já deve ter presenciado esse movimento em algumas livrarias, com eventos sempre muito cheios e vários autores autografando ao mesmo tempo.
Nesse modelo, em vez de um autor arcar com todo o investimento na produção do livro, o custo é dividido entre os demais convidados.
Cada um escreve um capítulo do livro — aquele referente à sua trajetória ou área de atuação — e paga apenas pela edição do próprio capítulo.
Dessa forma, à medida que cada capítulo é contratado por um autor, o livro se autofinancia.
Ter um organizador dos conteúdos é fundamental neste formato de edição, função exercida por um dos autores participantes, sendo normalmente o próprio idealizador do projeto.
Nessa posição ele é capaz de negociar sua participação com a editora por dar andamento ao processo, não pagando pela edição de seu capítulo, por exemplo, ou até, em alguns casos, ganhando uma bonificação por ter trazido o projeto para a casa editorial.
Para a editora, este número de autores gera uma receita garantida com a venda dos exemplares aos contatos trazidos por eles, resultando em eventos sempre cheios e com boas vendas na noite de lançamento.
Aos autores, proporciona uma produção mais rápida da edição de seus textos e um evento mais robusto. É o famoso ganha-ganha.
Assim, o formato de coautoria busca materializar o desejo daquele autor que não está contratado por uma casa editorial pelo modelo tradicional ou não tem verba suficiente para realizar a edição de seu livro de forma exclusiva, permitindo-lhe, ao final, ter ao menos um capítulo para chamar de seu.
O que você achou deste modelo? Conte para gente.
Caso você pretenda ser, além de leitor, também um autor, vamos conversando por aqui sobre o mercado editorial, suas tendências e lançamentos literários, para que esteja sempre em contato com suas novidades!
