A Prefeitura do Rio de Janeiro retomou a parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), entidade que se apresenta como prestadora de ajuda climática.
O novo acordo tem validade de 25 anos, até 2051, e não tem custo para os cofres públicos.
O que é a Fundação Cacique Cobra Coral?
A Fundação Cacique Cobra Coral é uma organização esotérica brasileira, fundada em 1931 e sediada em Guarulhos (SP). Ela afirma atuar sobre fenômenos naturais por meio de práticas espirituais, com o objetivo declarado de “intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza”.
A entidade é dirigida por uma médium que diz canalizar o espírito indígena que dá nome à fundação. Apesar de não haver comprovação científica sobre a eficácia de suas práticas, a organização mantém parcerias com órgãos públicos e privados desde o início dos anos 2000.
Um dos exemplos mais famosos da atuação da Cacique Cobra Coral é no Rock in Rio. Após enfrentar chuvas nos primeiros anos do festival, a organização contratou a entidade. Os anos seguintes tiveram poucos temporais durante o evento, o que levou o próprio criador do festival, Roberto Medina, a declarar publicamente que “o cacique já fazia parte da empresa”. A parceria foi encerrada em 2015.
Por que o Rio decidiu renovar o contrato agora?
A renovação ocorre sob o comando do atual prefeito, Eduardo Cavaliere, que assumiu o cargo em março de 2026, após Eduardo Paes deixar a prefeitura para concorrer ao governo do estado. O acordo anterior havia sido rompido unilateralmente pela própria fundação no fim de 2025.
Segundo a Cacique Cobra Coral, o motivo da ruptura foi o descumprimento, por parte do município, de uma obrigação prevista em contrato: informar a entidade sobre as intervenções realizadas para enfrentar os efeitos de fenômenos climáticos na cidade.
Com a chegada de um novo vendaval e a intensificação de alertas meteorológicos, a gestão municipal optou por reativar o convênio, reproduzindo o modelo já adotado nas últimas décadas por diferentes prefeitos cariocas.
Do ponto de vista formal, o acordo não gera custo aos cofres públicos. Ele funciona como um canal de troca de informações meteorológicas entre a fundação e o órgão responsável pela geotecnia municipal, sem que isso implique reconhecimento oficial da eficácia dos métodos espirituais alegados pela entidade.
Vendavais pelo Brasil
O vendaval que atinge o Rio de Janeiro faz parte de um fenômeno mais amplo: um ciclone extratropical em rápida intensificação sobre o Atlântico Sul, processo popularmente chamado de ciclone bomba. São Paulo também está sob alerta.
A Defesa Civil paulista projeta rajadas de até 100 km/h entre sexta-feira (7) e sábado (8), com risco elevado na capital, na Grande São Paulo e no litoral. O estado chegou a colocar nove das 16 regiões em alerta vermelho e instalou um gabinete de crise para acompanhar a situação.
A forte ventania provocada pela passagem do ciclone bomba causou diversos transtornos no litoral de São Paulo desde o começo da manhã desta sexta-feira (7/8). As travessias por balsas foram interrompidas e o Porto de Santos precisou suspender as operações.






