A frase “Temer o amor é temer a vida, e quem teme a vida já está a meio caminho da morte” é descrita no livro A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig. A citação, porém, pertence ao filósofo Bertrand Russell e foi publicada originalmente em A Conquista da Felicidade, de 1930.
No romance de Matt Haig, a frase combina com a trajetória de Nora Seed, uma mulher cercada por arrependimentos e pela sensação de ter feito escolhas erradas.
A história usa referências a pensadores para acompanhar a personagem em sua jornada entre diferentes possibilidades de vida.
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O medo que impede Nora de viver
No começo da história, Nora decide morrer após se sentir presa aos próprios fracassos. Ela havia se afastado de outras pessoas para evitar rejeição, sofrimento e perdas, acreditando que o isolamento poderia protegê-la da dor.
Ao chegar à Biblioteca da Meia-Noite, porém, passa a experimentar vidas alternativas, como as de estrela do rock, glaciologista e atleta olímpica.
Essas experiências mostram que retirar todos os riscos também significa retirar oportunidades de sentir, tentar e criar vínculos.
O que a frase ensina para a vida
A principal ideia da frase está na relação entre amor, vulnerabilidade e risco. Evitar qualquer possibilidade de sofrimento pode parecer uma proteção, mas também pode impedir experiências capazes de trazer afeto, realização e novas descobertas.
Um exemplo aparece nos relacionamentos. Recusar uma aproximação por medo da rejeição evita uma possível frustração, mas também elimina a chance de construir um vínculo.
O mesmo vale para projetos profissionais, como deixar de enviar um currículo ou começar um trabalho autoral por medo de fracassar.
As ideias de Bertrand Russell
Bertrand Russell (1872–1970) foi filósofo, matemático, lógico, historiador e ensaísta britânico. Foi um dos fundadores da filosofia analítica e defendia o uso da análise lógica para lidar com questões filosóficas.
Também sustentava que as crenças deveriam ser baseadas em evidências. Russell se posicionou contra guerras e armas nucleares e foi preso duas vezes por participar de protestos pacíficos.
Em 1950, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura por seus escritos e pela defesa de ideais humanitários e da liberdade de pensamento. Em 1949, recebeu a Ordem do Mérito britânica por suas contribuições à ciência e à filosofia.
Aos 97 anos, Russell morreu vítima de uma gripe, mas suas ideias, como demonstra “A Biblioteca da Meia-Noite”, continuam influentes e importantes até os dias de hoje.






