Cidade de SP que já proibiu minissaia é um dos maiores polos religiosos do Brasil

Em 2007, uma lei municipal tentou impor restrições ao vestuário feminino e provocou reação imediata na cidade e fora dela

Medida defendida como 'bons costumes' foi vista como interferência nas escolhas individuais e acabou ignorada pela população e pela Justiça

Medida defendida como 'bons costumes' foi vista como interferência nas escolhas individuais e acabou ignorada pela população e pela Justiça | MTur Destinos/Wikimedia Commons

Nem sempre Aparecida apareceu nas manchetes dos jornais por causa da fé. Em 2007, o município do interior paulista ficou conhecido por um motivo bem diferente.

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A legislação brasileira já costuma provocar debates quando certas decisões parecem ultrapassar limites, e naquele ano isso tomou forma em um episódio que mexeu diretamente com a rotina das mulheres da cidade.

A polêmica lei contra a minissaia

José Luiz Rodrigues, então prefeito, assinou uma lei que impunha restrições ao uso de minissaias por mulheres em Aparecida.

A proposta dizia buscar a preservação dos chamados bons costumes. Ainda assim, foi vista como uma interferência direta nas escolhas individuais sobre vestuário.

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Reação da população

Logo surgiram manifestações contrárias à medida, tanto dentro quanto fora da cidade. Grupos e entidades apontaram que a regra representava um retrocesso e feria direitos já conquistados pelas mulheres ao longo de décadas.

Diante da insatisfação, muitas moradoras resolveram reagir de forma simbólica.

A lei passou a provocar exatamente o tipo de resposta que pretendia evitar: em sinal de protesto, diversas mulheres começaram a usar minissaias com ainda mais frequência.

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Ao lado da grande repercussão negativa, essa atitude logo fez com que a lei fosse desconsiderada pela população e pela Justiça brasileira.

A cidade onde tudo aconteceu

Considerada um dos principais pólos religiosos do País, Aparecida fica a cerca de 170 quilômetros da capital paulista e recebe inúmeros fiéis e turistas diariamente.

Ali está o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, reconhecido como a maior basílica do mundo dedicada a Maria.

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Mesmo anos depois do episódio da lei, a cidade continuou envolvida em debates públicos. Em 2025, a Prefeitura apresentou à Câmara um projeto para cobrar uma taxa de veículos de turistas.

Além da fé, a cidade também atrai visitantes por suas paisagens, pela comida e pelas feiras de artesanato, o que ajuda a economia, mas pesa nos serviços e na estrutura do município.