Nem sempre Aparecida apareceu nas manchetes dos jornais por causa da fé. Em 2007, o município do interior paulista ficou conhecido por um motivo bem diferente.
A legislação brasileira já costuma provocar debates quando certas decisões parecem ultrapassar limites, e naquele ano isso tomou forma em um episódio que mexeu diretamente com a rotina das mulheres da cidade.
A polêmica lei contra a minissaia
José Luiz Rodrigues, então prefeito, assinou uma lei que impunha restrições ao uso de minissaias por mulheres em Aparecida.
A proposta dizia buscar a preservação dos chamados bons costumes. Ainda assim, foi vista como uma interferência direta nas escolhas individuais sobre vestuário.
Reação da população
Logo surgiram manifestações contrárias à medida, tanto dentro quanto fora da cidade. Grupos e entidades apontaram que a regra representava um retrocesso e feria direitos já conquistados pelas mulheres ao longo de décadas.
Diante da insatisfação, muitas moradoras resolveram reagir de forma simbólica.
A lei passou a provocar exatamente o tipo de resposta que pretendia evitar: em sinal de protesto, diversas mulheres começaram a usar minissaias com ainda mais frequência.
Ao lado da grande repercussão negativa, essa atitude logo fez com que a lei fosse desconsiderada pela população e pela Justiça brasileira.
A cidade onde tudo aconteceu
Considerada um dos principais pólos religiosos do País, Aparecida fica a cerca de 170 quilômetros da capital paulista e recebe inúmeros fiéis e turistas diariamente.
Mesmo anos depois do episódio da lei, a cidade continuou envolvida em debates públicos. Em 2025, a Prefeitura apresentou à Câmara um projeto para cobrar uma taxa de veículos de turistas.
Além da fé, a cidade também atrai visitantes por suas paisagens, pela comida e pelas feiras de artesanato, o que ajuda a economia, mas pesa nos serviços e na estrutura do município.





